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Banco Mundial elogia Argentina e levanta preocupações sobre o Brasil

Reformas de Milei são citadas como um dos principais motivos para o crescimento do país.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Fonte da imagem: Agência Brasil

A Argentina de Milei foi elogiada em um relatório do Banco Mundial que aponta para um cenário de baixo crescimento para a América Latina. 

Enquanto as expectativas para o país melhoram, Brasil e México enfrentam perda de dinamismo, pressionados por juros elevados, incertezas políticas e espaço fiscal restrito.

Um continente que cresce pouco

Segundo o Banco Mundial, a América Latina e o Caribe devem crescer apenas 2,1% em 2026, abaixo dos 2,4% registrados em 2025

O dado mostra que a região segue economicamente travada, apesar de contar com preços favoráveis de commodities e condições financeiras externas melhores.

A instituição aponta que a renda per capita dos latinoamericanos praticamente não avança

Isso significa que a economia cresce pouco e a vida da população local praticamente não melhora.

Falta de investimento é um problema central

O relatório identifica um fator central para esse cenário de estagnação é a falta de investimentos.

Empresas seguem cautelosas, aguardando sinais mais claros tanto do cenário internacional quanto das políticas internas de cada país

O consumo ainda sustenta parte da atividade econômica, mas de forma limitada. A renda real cresce lentamente e o crédito segue caro, o que reduz o impulso da economia.

Por que a Argentina é diferente?

A Argentina é descrita pelo Banco Mundial como um ponto fora da curva em meio a esse cenário.

A organização projeta crescimento de 3,6% para o país em 2026, após uma queda de 1,3% em 2024 e expansão de 4,4% em 2025. 

O sucesso está sendo atribuído, principalmente, a um conjunto de reformas econômicas e a um ajuste fiscal significativo.

Segundo o relatório, o país saiu de um grande déficit em 2023 para superávits primários e globais. Esse movimento foi impulsionado por medidas como:

  • Redução de gastos públicos

  • Combate a desperdícios administrativos

  • Revisão de subsídios energéticos

  • Reforma tributária

  • Mudanças no mercado de trabalho

Além disso, iniciativas como o Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) têm buscado atrair capital para setores estratégicos, como energia.

O Banco Mundial avalia que esse conjunto de ações ajudou a ancorar expectativas, reduzir o risco do país e melhorar as condições financeiras.

Ainda assim, o relatório alerta para desafios, como reservas internacionais negativas e dependência de financiamento externo.

Banco faz sinal de alerta para o Brasil

Se a economia argentina parece estar melhorando, a brasileira está caminhando na direção oposta.

A projeção de crescimento para 2026 foi revisada para baixo, de 2% para 1,6%. O número representa uma desaceleração em relação aos anos anteriores: 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

O Banco Mundial aponta uma combinação de fatores que ajudam a explicar esse movimento:

  • Juros elevados, que encarecem o crédito

  • Espaço fiscal limitado

  • Incertezas sobre políticas econômicas

  • Ambiente externo mais fraco

Na prática, isso significa menos investimento, menos consumo e menor ritmo de crescimento.

A instituição também observa que a demanda doméstica vem enfraquecendo, especialmente em países com juros altos  como o Brasil. 

Outro ponto destacado é o aumento gradual da inadimplência, reflexo do impacto acumulado dos juros elevados sobre famílias e empresas.

Apesar disso, o Banco Mundial ressalta que os níveis ainda estão dentro de padrões históricos moderados.