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Brasil e EUA fecham acordo contra crime organizado após conversa entre Lula e Trump

Mais de 1.100 armas vindas dos EUA foram apreendidas no Brasil em um ano e agora os dois países vão rastrear juntos.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático
Fonte da imagem: Ricardo Stuckert/PR

Partes de fuzis escondidas dentro de equipamentos de airsoft. Drogas camufladas em embalagens de ração animal enviadas por correio. É assim que traficantes tentam enviar armas e entorpecentes dos Estados Unidos ao Brasil.

A partir de agora, os dois países vão compartilhar essas informações em tempo real.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta sexta-feira (10) um acordo batizado de Projeto MIT, sigla para Mutual Interdiction Team (Equipe de Interdição Mútua).

Parceria entre a Receita Federal e a alfândega americana

A iniciativa integra esforços da Receita Federal brasileira com o U.S. Customs and Border Protection, a alfândega americana, para interceptar cargas ilegais que circulam entre os dois países.

"Hoje marca o primeiro passo relevante depois da conversa do presidente Lula com o presidente Trump no sentido de avançar na cooperação no combate ao crime organizado entre os nossos dois países", disse Durigan.

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O acordo tem dois mecanismos centrais

O primeiro é o Programa Desarma, sistema informatizado da Receita Federal que permite o compartilhamento estruturado de dados entre os dois países.

Sempre que autoridades identificarem armas, munições, explosivos ou materiais sensíveis de origem americana, as informações são repassadas aos EUA. O mesmo vale no sentido inverso.

O sistema registra tipo de material, origem declarada, informações logísticas e números de série, permitindo o rastreamento de redes ilícitas.

O segundo mecanismo é o chamado remote targeting, que permite a análise remota de cargas antes mesmo de chegarem ao destino.

Na prática, contêineres passam por uma espécie de raio-x digital, com imagens cruzadas com dados de inteligência compartilhados em fluxo contínuo entre os países.

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Mais de 1000 armas vindas dos EUA foram apreendidas

Os dados apresentados durante o anúncio mostram a dimensão do desafio. Nos últimos 12 meses, mais de 1.100 armas ou peças vindas dos Estados Unidos foram apreendidas no Brasil, somando cerca de meia tonelada.

Só no primeiro trimestre de 2026, mais de 1,5 tonelada de drogas com origem americana foram interceptadas, com destaque para drogas sintéticas e haxixe.

EUA querem enquadrar facções como terroristas

O acordo chega em um momento de maior atenção das autoridades americanas sobre organizações criminosas na América Latina.

Nos bastidores, cresce nos EUA o debate sobre o enquadramento de facções estrangeiras, como o Comando Vermelho e o PCC, como grupos terroristas, medida que ampliaria a interferência americana.

Ainda não há confirmação oficial sobre eventuais classificações envolvendo grupos brasileiros.

Do lado brasileiro, a estratégia é liderada pela Polícia Federal, com apoio do Ministério da Fazenda na área de inteligência financeira. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a medida reforça o trabalho integrado entre os órgãos.

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, destacou que o combate ao crime envolve tanto o bloqueio de armas e drogas nas fronteiras quanto o ataque às finanças das organizações.

Para Durigan, o acordo abre caminho para outras frentes de cooperação. 

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