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Cancelada por não divulgar livro LGBT, influencer perde patrocínios e conta no Instagram

Caroline chegou a receber diversos xingamentos racistas e mensagens que desejavam a sua morte.

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Redação Brasil Paralelo
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À esquerda, a influenciadora de literatura Caroline. À direita, o livro LGBT "Gender Queer".
Fonte da imagem: À esquerda, a influenciadora de literatura Caroline. À direita, o livro LGBT "Gender Queer".

Caroline é apaixonada por livros e sempre produziu conteúdo dentro do nicho de literatura. Até então, gravava seus conteúdos sem enfrentar problemas, inclusive com parcerias fechadas com grandes editoras brasileiras.

Com foco em romances, Carol tinha uma restrição: não anunciava nem lia obras de protagonismo queer. Essas produções são aquelas em que o tema central gira em torno de personagens LGBT.

Esse tipo de literatura não compõe um gênero literário próprio, mas tem ganhado cada vez mais adesão, inclusive com o chamado romance sáfico, formado por obras que abordam relações lésbicas.

Tudo começou com um pedido de divulgação

Nenhuma editora tinha apresentado queixas quanto à restrição de Carol de não ler esse tipo de romance. A situação mudou quando uma autora viu no mídia kit, documento usado por influenciadores para apresentar o seu trabalho, que Carol não divulgava esse tipo de livro.

A autora se revoltou e passou a acusar a criadora de conteúdo de homofobia:

“Isso é crime, sua imunda!!! Você é podre, podre! Meu Deus, que garota podre. E ainda tem 41 mil seguidores, nojenta”, disse a autora em um dos prints apresentados por Caroline à reportagem.

Carol questionou o motivo de estar sendo xingada, mas foi bloqueada logo em seguida.

Um influenciador maior repercutiu a questão

Após a conversa com a autora, Carol foi ao Threads, rede social de texto do Instagram, justificar o seu posicionamento. Na mensagem, ela explica que lê livros com representatividade e personagens LGBT, mas não aqueles em que esse é o tema central.

Carol não pediu censura para esse tipo de literatura nem atacou pessoas que a divulgavam, apenas não a incluiu em sua editoria. Foi o suficiente para uma onda de cancelamento.

Um influenciador literário com mais de 200 mil seguidores compartilhou um print dessa mensagem. Em outra sequência de stories, Carol relata que ele a chamou de transfóbica e homofóbica, acusação que foi repetida por vários de seus seguidores.

Ataques racistas e perda de patrocínio

“Vagabunda”, “preta fedida” e mensagens desejando que ela tirasse a própria vida foram alguns dos ataques recebidos por Carol aos quais a reportagem teve acesso por meio de prints. Além dos xingamentos, a onda de cancelamento levou o perfil de Carol a ser derrubado.

A Meta, dona do Instagram, foi acionada, mas, até o momento, Carol segue sem acesso ao seu perfil.

Um dos pontos mais sensíveis da situação foram as ameaças feitas ao filho de Carol, uma criança.

Em entrevista exclusiva, ela relata que ficou muito triste com a situação, chegando a chorar em alguns momentos e tendo que ser amparada pelo marido, que acompanha todo o caso.

O futuro de Carol

Impactada pela onda de ataques, Carol disse pensar em desistir do mundo literário e produzir conteúdo sobre outro tema. Em sua última publicação no TikTok, ela contou sobre o cancelamento que sofreu.

A cultura do cancelamento gera uma realidade em que todas as pessoas vigiam umas às outras, esperando o mínimo desvio moral, na perspectiva dos canceladores, para puni-las com todos os recursos possíveis.

Em alguns ambientes, determinados pensamentos se tornam tão opressivos que impedem que algumas pessoas se manifestem. Com medo de falar, elas tendem a ficar caladas ou mudar de lugar, fazendo com que apenas os canceladores falem e pareçam representar um pensamento hegemônico.

Essa situação é explicada pelo conceito de Espiral do Silêncio. Leia o texto abaixo, que servirá como auxílio para compreender a situação enfrentada por Carol.