O autor de uma das maiores obras em português morreu na extrema pobreza. Descubra quem foi Luís de Camões e conheça sua obra-prima
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“Quando se o lê à primeira vez, parece que se contempla um céu estrelado em noite de verão; sente-se espalhado por todo ele um ar de majestade e de grandeza, que nos faz dizer — aí está o gênio.”
Isso foi o que Joaquim Nabuco, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL) disse sobre Luís Vaz de Camões. Consagrado como um dos maiores escritores da história de Portugal, ele recebeu uma estátua e uma praça com seu nome.
Ainda assim, sua vida foi difícil e ele morreu sem dinheiro para sequer pagar o próprio enterro. Conheça quem foi Luís de Camões e sua renomada obra: Os Lusíadas.
Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa, Portugal, em 1524. Estudou na Universidade de Coimbra e durante sua juventude levou uma vida de excessos. Foi preso ainda jovem por ferir o sobrinho de um professor da Universidade em um duelo.
Após ser perdoado e solto, decidiu entrar no exército em 1547 para fugir das perseguições. Lutou no combate de Marrocos, em que perdeu um olho. Viveu em vários países como índia, Moçambique, Macau e Arábia. Ele passou 17 anos fora da sua terra natal.
A biografia de Luís Vaz de Camões não possui muitas informações precisas ou fatos comprovados. Contudo, interpretações de seus poemas revelam a maioria das coisas sabidas hoje sobre o poeta.
As obras de Camões são consideradas pertencentes à escola literária do classicismo. Sendo assim, traziam algumas características compartilhadas por vários de seus textos. Dentre suas marcas registradas pode-se citar:
Apesar de expoente do classicismo, em 1973 a professora e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Cleonice Berardinelli disse sobre Camões:
“ele é o vate, aquele que antecipa, tornando-nos impossível apor-lhe um rótulo, pois que muitos lhe convêm e nenhum o define.”
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Considerada uma das obras mais importantes da língua portuguesa, Os Lusíadas foi dividido em 10 cantos. O poema tem 8816 versos ao todo e segue uma estrutura muito rígida. São 10 sílabas poéticas por verso, 1102 estrofes com oito versos cada uma.
O poema conta a história das aventuras do navegador e herói de Portugal, Vasco da Gama. Ele combina fatos históricos do reino português com intrigas envolvendo os deuses do Olimpo.
Em determinado ponto da história, alguns deuses tentam afundar os navios da frota, temendo que os portugueses possam tornar-se tão grandiosos quanto eles. Ao final, Vasco da Gama e seus homens voltam para casa e, no caminho, recebem o amor de ninfas como recompensa pela coragem na aventura.
Esse foi o único escrito que o Camões publicou em vida. Escreveu o primeiro canto na cadeia, em 1552 enquanto cumpria um ano de pena por ter atacado um cavalariço do rei. Escreveu mais 6 cantos entre 1553 e 1556 em Macau.
A obra ganha contornos ainda mais místicos quando se lê um soneto de Camões em que ele narra a experiência de ter passado por um naufrágio. Acredita-se que seu navio afundou enquanto ele fazia uma viagem para Goa em 1556.
Estudiosos que analisaram o texto chegaram a conclusão que Luís de Camões perdeu sua amada Dinamene no acidente. Além disso, ele ainda teria escolhido salvar seu manuscrito de Os Lusíadas em vez da mulher, contudo isso é uma especulação.
Os Lusíadas chegou a ser censurado pela inquisição em 1571 porque Camões não tinha licença para publicação. Em 1572, foi lançada sua primeira edição dedicada ao rei Dom Sebastião. O monarca concedeu a Camões uma pensão durante três anos pela homenagem.
Luís Vaz de Camões morreu em sua cidade natal no dia 10 de junho de 1580. Biógrafos afirmam que ele estava em um estado tão grande de pobreza que mal teria um lençol para cobrir seu corpo. Foi enterrado em cova rasa por não ter como pagar seu enterro.
Quatorze anos após sua morte, recebeu uma lápide escrito "Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos Poetas do seu tempo. Viveu pobre e assim morreu".
O reconhecimento partiu de Dom Gonçalo Coutinho. Mais tarde, em 1867, Camões foi sagrado como maior poeta do Classicismo de Portugal. O Rei D. Luís I ergueu uma estátua em sua imagem no meio de uma praça de Lisboa que também recebeu seu nome.
Em seu aniversário de morte, 10 de junho foi declarado “Dia de Portugal, de Camões, e das Comunidades Portuguesa Espalhadas pelo mundo”.
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