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Como a milícia privada de Daniel Vorcaro acessou sistemas da Interpol e do FBI

Investigação aponta que estrutura ligada ao Banco Master utilizava métodos ilegais para vigiar jornalistas e autoridades.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Retrato de perfil do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em ambiente com iluminação de contraste contra fundo escuro.
Fonte da imagem: Reprodução

A nova fase da operação que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master revelou um complô digno dos filmes de espionagem.

Apelidado por Daniel Vorcaro de "A Turma", o grupo supostamente comandado pelo banqueiro funcionava como uma milícia privada, criada para obter informações e intimidar adversários.

Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome "Sicário", é um dos membros do grupo acusado de acessar bases de dados de órgãos internacionais, como o FBI e a Interpol, para coletar informações sensíveis de opositores de Vorcaro.

De acordo com a investigação, entre as práticas da organização estavam:

  • Monitoramento físico de jornalistas e ex-funcionários;

  • Guerra digital, com a criação de conteúdos favoráveis e pressão ilegal para a remoção de críticas em redes sociais;

  • Invasão de sistemas, utilizando credenciais de terceiros para acessar dados sigilosos do governo brasileiro e de polícias estrangeiras.

A manutenção dessa estrutura não era barata. Mensagens interceptadas revelam que o fluxo de caixa para a operação chegava a R$1 milhão mensais.

O dinheiro era repassado a Mourão por meio de empresas intermediárias e funcionários de confiança, em uma engenharia financeira desenhada para ocultar a origem dos valores e dificultar o rastreamento pela Justiça.

  • Este é mais um desdobramento envolvendo o Banco Master, cujos detalhes se perdem em meio a tantas manchetes. A Brasil Paralelo explica tudo o que está por trás desse cenário em sua nova produção: Raio-X Banco Master. Clique aqui e saiba mais.

Plano para quebrar os dentes de jornalista

O conteúdo das mensagens revela um lado sombrio da organização. Em diálogos diretos, Vorcaro e Mourão discutiam sobre “quebrar os dentes” de um colunista do jornal O Globo, mencionando inclusive a ideia de simular um assalto para agredi-lo fisicamente.

Confira a transcrição das mensagens interceptadas:

“MOURÃO: Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? hrs hein. Lanço uma nova sua? Positiva.

DV: Sim.

MOURÃO: Cara es*****.

DV: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.

MOURÃO: Vou fazer isto.

(…)

DV: Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

Resposta do Judiciário

A gravidade das provas,que incluem a participação de um ex-policial federal no núcleo de inteligência, levou o ministro André Mendonça a decretar a prisão preventiva dos líderes do grupo.

Para o magistrado, a manutenção da liberdade dos investigados representava um risco real à vida das vítimas e à própria integridade das instituições brasileiras.

Este é mais um episódio envolvendo o Banco Master. Um caso de muitas camadas que acabam se perdendo em tantas manchetes que surgem a cada dia. 

E para entender o que realmente aconteceu, é preciso ir além das manchetes.

A Brasil Paralelo organizou tudo isso em sua nova produção: Raio-X Banco Master, uma exibição didática e completa do que está por trás daquele que promete ser o maior escândalo financeiro da história recente do Brasil.

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