Governo defende reduzir a jornada para 40 horas semanais, enquanto proposta no Congresso prevê corte maior, para 36 horas.

Uma das pautas que mais ganhou espaço público nos últimos meses foi a do fim da escala 6x1. O tema saiu das redes sociais, entrou no Congresso e tem sido uma das principais bandeiras do governo Lula.
A população foi consultada pelo Datafolha. O resultado foi divulgado no último sábado (14).
De acordo com a pesquisa, sete em cada dez brasileiros são favoráveis ao fim da escala. O índice chegou a 71%. Em dezembro de 2024 esse número era de 64%. Apenas 27% são contrários.
O apoio é amplo, mas o debate é mais complexo do que o número sugere. Quando questionados sobre os impactos para as empresas, os entrevistados se dividem:
39% acreditam que o fim da escala trará efeitos positivos;
39% preveem impactos negativos
Já em relação à economia de forma mais ampla, metade dos entrevistados acredita em efeitos positivos, enquanto 24% esperam consequências ruins ou péssimas.
O debate no Congresso vai além da escala. O governo Lula tem sinalizado que a prioridade é reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários.
Já a PEC da deputada Erika Hilton propõe uma redução mais drástica, de 44 para 36 horas semanais.
Para o comentarista Gesualdo Almeida, da Jovem Pan, a proposta de 36 horas é um excesso.
"O Brasil não está preparado para uma transição tão grande".
Ele lembrou que países como a Alemanha adotaram essa medida quando tinham capacidade produtiva ociosa, ou seja, quando ainda podiam aumentar a produção. Segundo ele, o Brasil não tem essa condição no momento.
A redução para 40 horas, segundo ele, seria mais aceitável e já é realidade em muitos acordos coletivos.
A jornalista Mônica Rosenberg afirmou que forçar a mudança sem considerar as leis de mercado pode gerar desemprego e ampliar a informalidade.
"O brasileiro já não consegue pagar as contas do jeito que está hoje. Já tem gente fazendo dois empregos, então já não é nem escala 6x1, é 7x0".
O presidente Lula defendeu a redução da jornada em seu pronunciamento do Dia das Mulheres, argumentando que a medida beneficiaria especialmente as trabalhadoras, que frequentemente acumulam jornada formal e tarefas domésticas.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março.
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