História5 min de leitura

Descubra como o Brasil ajudou a China a ir para o espaço e desafiar os EUA

Brasil buscou parceria com a China após não conseguir acordo com os soviéticos.

Por
Rafael Lorenzo M Barretti
Publicado em
Cientistas chineses ao lado de satelite criado em parceria com o Brasil
Fonte da imagem: O Globo

A China se prepara para chegar à Lua antes de 2030. Na semana passada, o país fez um teste de voo em baixa atitude do foguete Longa Marcha-10

A espaçonave Mengzhou estava integrada durante o experimento. Ela comporta os astronautas que deverão ser levados à Lua e é impulsionada pelo foguete.

Atualmente, a China compete com os EUA como uma das nações mais avançadas na exploração espacial, mas nem sempre foi assim.

O país contou com a ajuda do Brasil para desenvolver seu programa espacial na década de 1980. 

Como o Brasil estruturou o programa espacial chinês?

Naquela época, o governo brasileiro buscava fortalecer sua tecnologia e queria desenvolver seu programa espacial

Para isso, o então ministro da Ciência e Tecnologia, Renato Archer, procurou a cooperação de uma das principais potências espaciais do mundo

Especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) chegaram a viajar para a União Soviética em 1987, no entanto a parceria não teve resultado.

Os russos não aceitavam trocar informações de maneira aberta e transparente com os brasileiros, o que fez com que o país desistisse da iniciativa.

Sem o apoio soviético, o INPE enviou seus cientistas para a China, que não tinha um programa tão desenvolvido, mas estava aberta a cooperar.

Na época, a nação comunista estava procurando melhorar seus satélites e contou isso para os brasileiros de maneira honesta.

O ex-diretor de Engenharia espacial do INPE, Celeste Ghizoni, contou à CNN que os chineses não tinham um programa tão bem estruturado.

Os engenheiros anotavam seu trabalho em cadernos individuais, sem uma burocracia oficial que centralizasse as informações:

"Nós chegamos lá e vimos que eles não tinham sistema de documentação. Não faziam. Cada cientista, cada engenheiro tinha um caderninho. E quando eles queriam alguma coisa específica, chamavam alguém, que abria o caderninho dele e explicava. Não havia nada formalizado. Nós auxiliamos no ajuste de todo o processo de formalização e documentação. Começamos a passar toda essa parte de configuração"

Além de ajudar a estruturar o sistema de documentação chinês, o Brasil teve um papel importante em conseguir equipamentos e materiais para os chineses.

Na época, a ditadura comunista sofria embargos internacionais e não conseguia fazer contratos para comprar produtos importantes para o desenvolvimento espacial.

Brasil e China fizeram acordos de cooperação

Além das trocas técnicas, a parceria ganhou forma institucional em 1988, com a assinatura do acordo que criou o CBERS

O programa conjunto buscava desenvolver satélites de sensoriamento remoto, utilizados para coletar imagens e informações na Terra.

O projeto previa divisão de responsabilidades, transferência de conhecimento e desenvolvimento conjunto de tecnologia. 

Mais de dez anos depois, em 1999, o primeiro satélite da parceria foi lançado com sucesso em território chinês.

Ao mesmo tempo em que ajudava a estruturar processos na China, o Brasil também consolidava sua própria experiência em aplicações espaciais.

Em 1988, teve início o programa PRODES, voltado ao monitoramento anual do desmatamento da Amazônia

Esse domínio sobre o uso prático de dados de satélite influenciou o desenvolvimento chinês na área de aplicações civis.

Programa espacial chinês se tornou um dos mais importantes do mundo

Conforme a economia chinesa se desenvolvia e o país avançava em outras áreas, como tecnologia militar e nuclear, o programa espacial também crescia.

Na mesma entrevista para a CNN, Ghizoni comentou que não acreditava na capacidade daquele país se tornar uma potência espacial, mas eles conseguiram atingir esse objetivo:

"No começo a gente não acreditava. Depois de um tempo, porque demorou um pouco, eles começaram, aí ninguém mais segurou. Eu voltei lá em 2016. Muito tempo depois. Pensei: 'esses caras têm tudo'', fiquei assustado".

O crescimento da China de fato foi uma grande surpresa para muitas pessoas que conheceram o país no século passado.

A nação deixou a fome e a miséria para se tornar uma das maiores potências do século XXI e disputar o poder internacional com os EUA.

Entenda como a China se transformou e qual o papel do Partido Comunista Chinês nisso com o épico História do Comunismo.

A série explica a história de uma das ideologias mais importantes do mundo desde seu surgimento até os dias atuais. Assista o primeiro episódio abaixo:

Clique aqui e garanta seu acesso à série completa, além de todas as produções originais da Brasil Paralelo por apenas R$10 por mês. 

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui.