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Veja o que você precisa saber sobre o encontro entre Trump e Xi Jinping

Presidentes falaram em cooperação, apesar disso, a China fez um alerta assustador sobre Taiwan.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Trump e Xi se encontram
Fonte da imagem: Reprodução

Os líderes das duas maiores potências do mundo se reuniram hoje (14) em meio a uma crise diplomática. O encontro aconteceu no Grande Salão do Povo, em Pequim.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, ficaram juntos por mais de duas horas em uma das cúpulas mais importantes dos últimos anos.

A reunião ocorreu em um momento delicado para a relação entre os dois países, que vivem disputas comerciais, tensões militares e uma corrida tecnológica

Ao mesmo tempo, a guerra no Irã e a situação do Estreito de Ormuz aumentaram a pressão sobre a economia americana.

A recepção organizada pela China foi grandiosa. O presidente americano foi recebido com desfile militar e tapete vermelho.

Quem acompanhou Trump na viagem?

Trump estava acompanhado de nomes importantes do governo e do setor empresarial americano, como:

  • o secretário de Estado, Marco Rubio;

  • o secretário de Defesa, Pete Hegseth;

  • Elon Musk;

  • Jensen Huang, da Nvidia.

Uma das principais expectativas é de que o americano tenha buscado uma forma de melhorar a entrada de produtos americanos no mercado chinês.

Em contrapartida, é esperado que Xi peça uma redução nas tarifas americanas sobre o país.

O regime de Pequim está na vantagem, já que tem um recorde de exportações, porém ainda precisa do mercado consumidor americano.

Comércio e tecnologia também devem ter entrado na pauta

As equipes econômicas dos dois países discutiram novos acordos envolvendo agricultura, aviação, energia e inteligência artificial.

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que espera grandes encomendas chinesas de aeronaves da Boeing.

Além disso, ele afirmou que os dois lados negociam mecanismos de proteção para modelos de IA

A questão tecnológica é considerada estratégica pelos dois governos. A China tenta acelerar sua liderança em inteligência artificial, robótica e carros elétricos

Já os Estados Unidos acusam empresas chinesas de copiar ou absorver tecnologia americana de maneira indevida.

Mesmo assim, sinais de aproximação começaram a surgir. A Reuters informou que os EUA autorizaram empresas chinesas a comprar chips H200 da Nvidia, semicondutores mais avançados para inteligência artificial.

O mercado financeiro reagiu positivamente. O Nasdaq e o S&P 500 chegaram a renovar recordes intradiários, impulsionados principalmente pelas ações da Nvidia.

Xi mandou recado direto sobre Taiwan

Xi Jinping alertou diretamente Trump sobre o risco de conflito caso a questão de Taiwan seja conduzida de maneira inadequada

Segundo a imprensa estatal chinesa, Xi afirmou que Taiwan é “o tema mais importante” da relação entre os dois países.

Quando o Partido Comunista Chinês invadiu Pequim, o governo nacionalista de Chiang Kai Shek se refugiou na ilha e passou a clamar ser a verdadeira China.  

Desde então, o governo chinês procura controlar a região e os EUA mantêm apoio militar e venda de armas para os taiwaneses.

Nos últimos anos, Pequim aumentou a presença militar ao redor da ilha, enviando aviões de guerra e embarcações.

Durante a reunião, Xi chegou a dizer que “a independência de Taiwan e a paz no estreito são tão irreconciliáveis quanto o fogo e a água”.

Além disso, avisou que a situação poderia evoluir para uma guerra direta caso o governo americano não soubesse lidar da maneira correta com a situação.

China e EUA evitarão cair na Armadilha de Tucídides?

Durante seu discurso, o presidente chinês defendeu a cooperação entre os dois países e fez referência à Armadilha de Tucídides.

China e Estados Unidos conseguem superar a armadilha de Tucídides e criar um novo modelo de relações entre grandes potências? Podemos enfrentar juntos os desafios globais e oferecer mais estabilidade ao mundo?

O conceito foi inspirado no trabalho do historiador grego do século V a.C. do qual pega o nome emprestado.

Em suas obras, ele analisou a Guerra do Peloponeso, que colocou as duas principais polis gregas, Atenas e Esparta, em lados opostos de um conflito brutal.

A ideia é de que uma potência hegemônica tem uma força em ascensão, o que acaba resultando em uma guerra direta.

No caso, Esparta via o crescimento do poder ateniense após a guerra contra o Império Persa, o que tornou o conflito inevitável

Segundo essa lógica, a ascensão da China deverá levar a uma grande guerra quase inevitável contra os EUA

Para entender melhor a conjuntura em que essa tensão está sendo construída é necessário compreender a política internacional do século XXI.

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