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Egito está construindo 40 novas cidades no deserto, mas enfrenta dificuldade para encontrar moradores. Entenda o motivo

O Egito construiu cidades e não conseguiu povoá-las. 97% da população vive em apenas 4% do território. O presidente culpa a taxa de natalidade. Entenda o caso.

Por
Redação
Publicado em
Céu da cidade de Cairo com o destaque para cidade e as pirâmides ao fundo
Fonte da imagem: Britannica

O Egito tenta resolver seus desafios urbanos com um plano ousado: construir mais de 40 cidades no deserto. 

A nova capital, a 60 km do Cairo, já tem a torre mais alta da África e a maior catedral do Oriente Médio.

No entanto, quase ninguém mora lá.

Ruas de sete pistas estão sem carros, e entre prédios de arenito, somente funcionários públicos, faxineiros e seguranças aparecem.

97% dos egípcios vivem em 4% do território

O  país tenta enfrentar um problema antigo: dos 107 milhões de habitantes, 97% se concentram em 4% do território, como o Cairo, que concentra mais de 20 milhões de pessoas.

Segundo o demógrafo Ayman Zohri,“o Cairo é uma das cidades mais densas do mundo”.

Lá, buzinas e gritos enchem o ar, enquanto a nova capital oferece silêncio e espaço. O presidente Abdel Fattah el-Sissi começou o projeto há 10 anos para aliviar essa pressão.

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Apartamentos caros e ocupação baixa

A nova capital tem vila olímpica para 2036, mas os apartamentos custam caro.

“Cerca de 80% da população não consegue pagar”.
Um segurança local diz: “Em cada prédio com 25 apartamentos, só três ou quatro têm moradores, como juízes.”

A ocupação não passa de 30%, deixando os centros como vitrines desertas. O fato lembrou a mudança para Brasília nos anos 1950, que buscou povoar o interior do Brasil.

El-Sissi culpa natalidade por crise econômica

A cereja do bolo: o projeto já consumiu US$58 bilhões, com US$10 bilhões em 2023 para acelerar obras. El-Sissi vê a alta natalidade como a raiz da crise econômica.

“Sem controle, será uma catástrofe”, alertou o presidente em 2024.

O Egito conta com um programa de controle familiar desde os anos 60. Segundo Zohri, o programa falhou.

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