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Essa cidade brasileira era coberta pelo mar no passado

Apesar de ficar no interior, paleontólogos acreditam que Taió era parte de uma faixa costeira.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Cidade de Taió que ficou submersa há mais de 290 milhões de anos e hoje fica longe do litoral
Fonte da imagem: G1

A cidade de Taió, em Santa Catarina, fica a mais de 160 km do mar, no entanto, uma descoberta sugere que o local já esteve submerso há cerca de 290 milhões de anos.

A evidência vem de conchas fossilizadas encontradas na região, que ajudam a entender como era o território muito antes da formação atual dos continentes.

Conchas fossilizadas encontradas na cidade de Taió.
Conchas fossilizadas encontradas na cidade de Taió. — Grupo de Informação Difusora.

Hoje, com cerca de 18 mil habitantes, Taió está localizada no Alto Vale do Itajaí, cercada por terra

Ainda assim, o solo guarda sinais de um passado em que a água dominava a paisagem.

As conchas encontradas pertencem à espécie Heteropecten catharinae e são um dos principais indícios de que a região já foi coberta por água salgada.

De acordo com o responsável técnico do museu local, João Pedro Rodrigues, esses fósseis indicam que a área não era um mar profundo, mas uma espécie de faixa costeira.

Em outras palavras, Taió teria sido uma região próxima ao litoral de um antigo supercontinente, onde o mar avançava sobre a terra.

Além das conchas, outro achado que reforça essa hipótese são fósseis de mesossauros, répteis pré-históricos que viviam em áreas de transição entre água e terra.

Esses animais ajudam a confirmar que o ambiente da época combinava características marinhas e terrestres, algo típico de regiões costeiras.

Um museu que guarda essa história

Grande parte dessas descobertas está reunida no Museu Paleontológico, Arqueológico e Histórico Prefeito Bertoldo Jacobsen (MUPAH), reaberto no fim de 2025.

O acervo conta com cerca de 1.500 peças, entre fósseis, materiais arqueológicos e objetos históricos. Muitos deles foram doados pelos próprios moradores ao longo dos anos.

As pesquisas na região começaram ainda no início do século XX e continuam até hoje, com a participação de especialistas de diferentes instituições.