Apesar de ficar no interior, paleontólogos acreditam que Taió era parte de uma faixa costeira.

A cidade de Taió, em Santa Catarina, fica a mais de 160 km do mar, no entanto, uma descoberta sugere que o local já esteve submerso há cerca de 290 milhões de anos.
A evidência vem de conchas fossilizadas encontradas na região, que ajudam a entender como era o território muito antes da formação atual dos continentes.

Hoje, com cerca de 18 mil habitantes, Taió está localizada no Alto Vale do Itajaí, cercada por terra.
Ainda assim, o solo guarda sinais de um passado em que a água dominava a paisagem.
As conchas encontradas pertencem à espécie Heteropecten catharinae e são um dos principais indícios de que a região já foi coberta por água salgada.
De acordo com o responsável técnico do museu local, João Pedro Rodrigues, esses fósseis indicam que a área não era um mar profundo, mas uma espécie de faixa costeira.
Em outras palavras, Taió teria sido uma região próxima ao litoral de um antigo supercontinente, onde o mar avançava sobre a terra.
Além das conchas, outro achado que reforça essa hipótese são fósseis de mesossauros, répteis pré-históricos que viviam em áreas de transição entre água e terra.
Esses animais ajudam a confirmar que o ambiente da época combinava características marinhas e terrestres, algo típico de regiões costeiras.
Grande parte dessas descobertas está reunida no Museu Paleontológico, Arqueológico e Histórico Prefeito Bertoldo Jacobsen (MUPAH), reaberto no fim de 2025.
O acervo conta com cerca de 1.500 peças, entre fósseis, materiais arqueológicos e objetos históricos. Muitos deles foram doados pelos próprios moradores ao longo dos anos.
As pesquisas na região começaram ainda no início do século XX e continuam até hoje, com a participação de especialistas de diferentes instituições.