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Liberalismo e conservadorismo: de lados opostos a aliados contra a esquerda

Ao contrário do que pode parecer, o liberalismo surgiu como antagonista do conservadorismo.

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Redação Brasil Paralelo
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Liberalismo e conservadorismo: disputas e união
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O mais recente documentário da Brasil Paralelo, A Direita no Brasil, investigou as origens de cada corrente da direita contemporânea. Ao contrário do que pode parecer, o liberalismo surgiu como antagonista do conservadorismo, e não como uma corrente da mesma linha de pensamento. 

As origens do Liberalismo 

Com a eclosão das ideias Iluministas, essa vertente política apareceu se contrapondo à ordem social, política e econômica de uma Europa monárquica e pós-feudal. 

Nesse contexto, Conservadores e Liberais atuaram como oponentes, disputando o cenário político do período. No entanto, foi somente com a Revolução Industrial que o liberalismo assumiu o protagonismo e começou a pautar as transformações das antigas estruturas nobiliárquicas e econômicas.

HIstória do Liberalismo no Brasil

O economista José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu, é ocasionalmente apontado como o pai do liberalismo econômico brasileiro, por aconselhar a abertura dos portos para o comércio com as "nações amigas", a partir da chegada de Dom João VI ao Brasil.

Também durante o período joanino, destacou-se o jornalista Hipólito José da Costa, fundador do Correio Braziliense, o primeiro jornal brasileiro. Hipólito notabilizou-se por seu liberalismo político fortemente anti-absolutista e anti-escravagista.

Durante o período imperial, o liberalismo brasileiro encontrou sua maior expressão até então através do Partido Liberal, fundado em 1831. Do Partido Liberal surgiria o Partido Republicano, incorporando um liberalismo mais radical, que agora questionava inclusive a existência do regime monárquico. 

A causa republicana seria bem-sucedida com a Proclamação da República, inaugurando um regime pautado pelos preceitos liberais correntes na virada dos séculos XIX e XX. 

Já na Era Vargas, a escalada do autoritarismo terminou por afastar definitivamente os liberais da gerência do Estado, marcando um período de adormecimento das correntes liberais no país, que se prolongaria até o fim do regime militar. 

A dissolução da União Soviética e a queda do muro de Berlim deram novo fôlego aos ímpetos liberais, que se refletiram no Brasil com a divulgação das idéias de Ludwig von Mises e Friedrich Hayek.

O cerne do liberalismo

O liberalismo tem sua origem nos esforços para acabar com as monarquias absolutistas e com o autoritarismo em suas muitas formas. 

No lugar da continuidade da tradição que pauta o conservadorismo e que legitimava o poder das monarquias, o liberalismo se baseia na noção de liberdade individual e dos direitos naturais do indivíduo:

  • o direito à vida,
  • à propriedade privada e 
  • à liberdade - direitos esses que o Estado não pode violar.

União com o conservadorismo

Uma vez que normalmente a esquerda tem o Estado como instrumento de transformação, é natural que liberais acabassem se aproximando dos conservadores para combater o inimigo comum. 

No passado, ao longo da construção do Império, e depois, no novo experimento republicano, os partidos liberal e conservador tinham sido as duas faces da política nacional, que seria definida pela disputa entre essas duas vertentes. 

Não foi por acaso então que mais de um século depois, quando o sistema político começou a dar mostras de desgaste, essas duas correntes políticas voltaram ao centro da ação, ocupando um lugar de protagonismo. 

Tratava-se apenas da continuação de uma longa partida, iniciada há muito tempo, e ainda não resolvida.

Aprofunde-se no tema

A trilogia A Direita no Brasil investiga a fundo as origens dessa corrente no Brasil e qual é seu futuro. Para isso, os protagonistas da direita contemporânea foram entrevistados, como Hélio Beltrão, Alexandre Garcia, Bia Kicis, Nikolas Ferreira e muitos outros.