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Milei reduz pobreza ao menor nível em sete anos, mas tem recorde de desaprovação na Argentina

Inflação voltou a subir, indústria recua e polêmicas no gabinete ampliam o desgaste do atual governo.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
O presidente da Argentina, Javier Milei, participa da plenária sobre reforma das instituições no G20.
Fonte da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Argentina registrou a menor taxa de pobreza em sete anos. Sob a gestão de Javier Milei, o índice recuou de 38,1% para 28,2%, segundo o Indec, o instituto de estatística argentino.

Para o governo, o resultado é uma prova de que o ajuste fiscal está funcionando. Mas para a população argentina não parece ser suficiente.

A desaprovação de Milei chegou a 64,5%, segundo a consultoria Zuban Córdoba. O número mostra que o presidente que conseguiu reduzir a pobreza ao menor nível em sete anos enfrenta uma das maiores rejeições de sua gestão.

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O que pode estar por trás da queda de popularidade?

Após meses de estabilidade em torno de 2%, a inflação voltou a acelerar em 2026 e chegou a 3,4% em março.

O próprio Milei reconheceu publicamente o cenário negativo e admitiu dificuldades no controle da economia.

O setor das indústrias é um dos que mais está em queda e o desemprego cresceu. O fechamento de empresas e os cortes na saúde e na educação pública pesam mais sobre a percepção da população do que os números de pobreza.

Economistas alertam que os planos econômicos do governo ainda não resolveram os problemas estruturais do país.

Possíveis problemas de gestão

No campo político, o governo enfrenta denúncias de corrupção envolvendo integrantes da gestão, incluindo o chefe de gabinete Manuel Adorni, questionado por possível incompatibilidade entre patrimônio e renda declarada.

A percepção de que as promessas de combate à corrupção feitas na campanha não foram cumpridas ampliam o desgaste.

O governo também foi criticado por restringir o acesso de jornalistas à Casa Rosada. A medida gerou repercussão negativa e foi parcialmente revertida.

Desconfiança no sistema financeiro

Estima-se que os argentinos guardem cerca de R$834,7 bilhões fora dos bancos, herança do colapso financeiro de 2001. As tentativas de Milei de atrair esse capital com isenções fiscais tiveram pouco resultado até agora.

Apesar do cenário adverso, a oposição segue dividida e sem liderança consolidada para as eleições presidenciais de 2027.

Sob o governo de Milei, a Argentina recuperou parte de sua economia, que historicamente estava em queda.

Entenda o que levou o país a se tornar uma das piores economias do mundo e por que os argentinos se preocupam tanto com ela no documentário Queda da Argentina.

Assista ao primeiro episódio abaixo:

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