Porta-voz do Alto Comando afirma que traficantes estavam envolvidos em operação para desestabilizar o país.

Tiros foram ouvidos nos arredores do palácio presidencial em Bissau, capital da Guiné-Bissau.
Pouco tempo depois veio a confirmação de que os militares haviam deposto o presidente Umaro Sissoco Embaló.
O presidente chegou a dizer “eu fui deposto” durante uma entrevista para o jornal France 24 horas.
A capital entrou em clima de tensão. Em anúncio formal os militares declararam que assumem o “controle total” do país.
O comunicado de tomada de poder foi lido no quartel‑general do Exército, na capital Bissau. Nele, os militares afirmaram ter suspendido o processo eleitoral.
O porta-voz do alto comando militar do país, Denis N’Tchama, afirmou que a ação foi uma reação a um suposto plano para a desestabilização do país.
Ele disse que o plano incluía políticos do país e barões das drogas internacionais e teria por fim manipular o resultado das eleições.
A operação teria sido descoberta pelo serviço de informação de Estado, após a descoberta de um depósito com armamentos de guerra ilegais.
Os militares fecharam as fronteiras do país, pararam temporariamente as atividades de todos os órgãos de comunicação social e estabeleceram um toque de recolher das 18 horas às 6 horas.
A nação será governada pelo Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem Nacional até a determinação do fim do estado de emergência.
A Guiné‑Bissau é um dos países mais pobres do mundo e conta com um longo histórico de golpes desde a independência de Portugal em 1974.
O ministro de Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, fez um apelo para que a situação corra de forma pacífica:
"[Pedimos que] todos os envolvidos se abstenham de qualquer ato de violência institucional ou cívica e que se retome a regularidade do funcionamento das instituições, de modo que se possa finalizar o processo de apuramento e proclamação dos resultados eleitorais".
As eleições gerais realizadas no último domingo (23) foram acompanhadas por missões de observação internacional da União Africana (UA), que elogiaram o voto pacífico e ordeiro dos guineenses.
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