Na década de 1980, Roberto Suárez Gómez era um dos maiores traficantes do mundo e apoiou um regime militar que ajudou o crime.

Se você assistiu ao clássico Scarface, de 1983, certamente se lembra do personagem Alejandro Sosa.
O chefão do tráfico boliviano interpretado por Paul Shenar que fornecia as drogas para Tony Montana.
O que a maioria das pessoas que assistiram ao filme não sabem é que ele foi inspirado em uma figura que realmente existiu, o traficante Roberto Suárez Gómez.
O criminoso nasceu em 1932, em uma rica família de proprietários de terras tradicionais na região de Beni.
Ele começou a se envolver com o tráfico de drogas no fim da década de 1970, quando o comércio disparou no país.
Em apenas sete meses, Suárez se tornou milionário e uma figura central do tráfico no país.
Sua fortuna era tanta, que chegou a se oferecer para quitar a dívida internacional avaliada em US$3 bilhões em 1983.
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A Bolívia foi o país que passou por mais golpes de Estado durante o século XX, registrando mais de 56 mudanças de regime.
Na década de 1970, o país vivia um período de forte polarização e instabilidade política.
A situação acabou em um dos episódios mais dramáticos da história boliviana, o golpe liderado pelo general Luis García Meza em 17 de julho de 1980.
O movimento derrubou a então presidente Lydia Gueiler e impediu a posse de Hernán Siles Zuazo, o ex-presidente de esquerda que se preparava para o terceiro mandato.
Os militares fecharam o Congresso e perseguiram opositores, um período marcado por prisões, assassinatos e repressão.
Esse regime ficaria conhecido por muitos como o “golpe da cocaína” e Roberto Suárez estava no centro dessa engrenagem.
Ele foi um dos principais apoiadores do governo militar entre 1980 e 1982, ajudando a financiar o golpe.
Durante a época, sua influência política aumentou, assim como a de outros grandes barões da droga que se aliaram aos militares.
O governo declarou o fim da guerra às drogas, alegando que o esforço "não foi reconhecido" e não teve "o apoio esperado dos países consumidores".
Enquanto o governo anunciava a mudança, cresciam suspeitas de que a repressão mirava concorrentes menores, abrindo espaço para grandes operadores do tráfico.
O regime acabou isolado internacionalmente, pressionado por denúncias e sanções, e caiu em 1981.
Apesar de sua relação com os militares o império de Suárez começou a ruir em 1988, quando foi condenado a 15 anos de prisão por crimes ligados ao tráfico.
Cumpriu quase nove anos e quando saiu, já não era o mesmo homem. Grande parte de sua fortuna havia desaparecido.
Seu império estava fragmentado e o negócio passou para as mãos de seu sobrinho, Jorge Roca Suárez, que acabou preso nos Estados Unidos.
Na prisão, Suárez afirmou ter encontrado a fé. Ele costumava posar ao lado de um pôster de Jesus Cristo em sua cela.
Em entrevistas nos últimos anos de vida, disse que se arrepende de ter escolhido seguir uma vida de crime:
“O pior erro da minha vida foi ter entrado no tráfico de cocaína.”
Ele morreu em 20 de julho, aos 68 anos, em Santa Cruz, vítima de um ataque cardíaco e deixou 18 filhos.