Artista diz que proposta previa pagamento de 10% a um político para viabilizar o recurso.

Com mais de 50 anos de trajetória, o cantor revelou, em entrevista recente a um podcast, um episódio envolvendo a Lei Rouanet, mecanismo de incentivo à cultura do governo federal.
Ele afirmou que nunca utilizou o recurso e recebeu apenas uma proposta ao longo da carreira.
De acordo com o artista, a oferta envolvia cerca de R$200 mil, com a condição de repassar 10% do valor ao responsável pela proposta, um político que era filho de um ministro da época.
“Eu posso te conseguir 200 mil pela Lei Rouanet, mais vinte é meu”.
A conversa aconteceu no Rio de Janeiro, após o político insistir em conversar com o cantor.
Ele agradeceu a proposta e recusou.
“Eu não queria me envolver com esse tipo de coisa. Eu zelo muito pela minha integridade, meu nome”.
O artista também disse que nunca utilizou recursos públicos ao longo da carreira.
“Em alguns momentos, gravadoras me ajudaram. Em outros momentos, eu usei do meu dinheiro”.
Criada em 1991, a Lei Rouanet é o principal mecanismo de incentivo à cultura no Brasil.
Na prática, ela permite que empresas e pessoas físicas direcionem parte do imposto de renda devido para financiar projetos culturais previamente aprovados pelo governo federal.
O processo funciona em etapas:
o projeto é apresentado ao Ministério da Cultura;
passa por avaliação técnica;
se aprovado, o proponente pode buscar patrocinadores;
o valor investido pode ser abatido do imposto de renda.
Nos últimos anos, o volume de recursos movimentados pela lei aumentou.
Dados do Ministério da Cultura indicam que:
em 2023, foram captados R$ 2,35 bilhões.
em 2024, R$ 3,04 bilhões.
em 2025, o valor chegou a R$ 3,41 bilhões.
O crescimento também aparece no número de projetos apresentados, que passou de 13,6 mil em 2023 para mais de 22 mil em 2025.
Casos como o relatado por Ney Matogrosso volta a levantar dúvidas sobre como o acesso aos recursos acontece na prática.
os recursos chegam a quem mais precisa? A distribuição alcança todas as regiões? Como funciona o acesso a esses incentivos?
Essas questões estão no centro do documentário Aos Amigos, a Lei, da Brasil Paralelo, que investiga os bastidores do financiamento cultural no país.
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