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Nikolas Ferreira acusa Anvisa de perseguição política à Ypê

Deputado liga suspensão ao histórico de decisões do governo que beneficiaram os donos da principal concorrente da Ypê.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Nikolas Ferreira
Fonte da imagem: Reprodução

A decisão da Anvisa contra a fabricante de detergentes Ypê ganhou o meio político. Isso porque a agência suspendeu um lote de produtos e apontou irregularidades. A empresa negou que seus produtos ofereçam algum risco.

Depois do tema ganhar força nas redes sociais, com reações e memes, o deputado federal Nikolas Ferreira afirmou que a decisão da Anvisa configura perseguição política e questionou a motivação da fiscalização.

Um dos pontos levantados pelo deputado foi se a suspensão dos produtos teria como alvo real os donos da empresa, que doaram mais de R$1,5 milhão para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

"Será que isso pode ter sido feito para ajudar a concorrente?", questionou Nikolas em vídeo publicado nas redes sociais.

No vídeo publicado, Nikolas lembra que o principal concorrente da Ypê é a Minuano, marca que pertence ao grupo dos irmãos Batista, os mesmos donos da JBS.

O deputado sugere que a suspensão pode ter sido pensada para beneficiar o conglomerado.

Ele foi além e trouxe uma linha do tempo com episódios que, segundo ele, mostram um padrão de decisões do governo favorecendo o grupo.

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Benefícios no setor de ovos

Em janeiro de 2025, os irmãos Batista compraram metade da Mantiqueira, maior produtora de ovos do Brasil.

Semanas depois, o governo publicou uma portaria exigindo carimbo obrigatório em ovos vendidos a granel, medida que, na avaliação do deputado, beneficiaria quem já tinha a tecnologia e prejudicaria pequenos produtores.

A portaria foi revogada após pressão do Congresso e popular.

Transferência de dívidas para o consumidor

Em 2024, o grupo adquiriu três usinas da Eletrobras por R$4,7 bilhões. De acordo com Nikolas Ferreira, três dias depois, o governo publicou uma medida provisória transferindo uma dívida de R$10 bilhões dessas usinas para a conta de luz dos brasileiros.

Para o deputado, o caso da Ypê se encaixa no mesmo padrão.

"Toda vez que um setor da economia entra no radar deles, sempre aparece uma portaria ou uma decisão que lhes favorece", afirmou.

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Por que a Anvisa suspendeu alguns produtos da Ypê?

A suspensão foi determinada na última quinta-feira, após fiscais visitarem a fábrica da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo.

De acordo com o relatório da agência, os técnicos encontraram descumprimentos em etapas críticas do processo produtivo.

Entre os problemas:

  • equipamentos com sinais de corrosão;

  • tanques em mau estado de conservação;

  • restos de produtos devolvidos às linhas de envase.

A Anvisa informou ainda que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou resultados fora da especificação microbiológica em 80 lotes.

Alguns testes identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, responsável por infecções graves em hospitais. Para o órgão, o conjunto das irregularidades configura risco sanitário elevado.

A medida afeta detergentes, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca, de todos os lotes com numeração final 1, fabricados na unidade de Amparo.

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A Ypê negou que seus produtos ofereçam qualquer risco

A empresa negou que seus produtos ofereçam risco e afirmou ter laudos técnicos independentes que atestam a segurança dos itens.

De acordo com a Ypê, as áreas mostradas nas imagens não têm contato direto com os produtos e fazem parte de um plano de melhorias alinhado com a própria Anvisa desde o ano passado.

A fabricante apresentou um recurso administrativo contra a decisão

O recurso suspendeu automaticamente os efeitos da proibição até nova análise da diretoria da agência. Mesmo assim, a Anvisa manteve a recomendação para que consumidores evitem usar os produtos dos lotes afetados.

O assunto Ypê x Anvisa viralizou

Além de Nikolas Ferreira, outros nomes da política nacional se manifestaram sobre o assunto. O senador Cleitinho Azevedo também sugeriu que a motivação por trás é política e afirmou que apenas um lote estava contaminado.

O vice-prefeito de São Paulo Ricardo Mello Araújo publicou vídeos usando produtos da marca.

"Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira", afirmou.

Michelle Bolsonaro publicou um story com o detergente da marca.

O deputado federal sargento Fahur publicou um vídeo onde aparece lavando seu bigode como o produto.

A questão central ainda não foi respondida publicamente: os produtos do lote afetado representam ou não risco real ao consumidor?

A Anvisa afirma que sim. A Ypê afirma que não. O recurso administrativo da empresa está em análise.

Enquanto isso, a Anvisa mantém a recomendação de evitar os lotes com numeração final 1.

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