Meta afirma que pausar as publicações ao morrer afeta a experiência de outros usuários.
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Hoje em dia é possível acompanhar o que seus amigos e parentes fazem em qualquer lugar do mundo com as redes sociais, mas já pensou em continuar recebendo publicações deles mesmo após a morte?
Pode até parecer que essa ideia sinistra veio de alguma série de ficção científica, mas pode se tornar realidade com uma tecnologia patenteada pela Meta.
A empresa dona do Instagram e do Facebook patenteou em 2023 uma Inteligência Artificial capaz de manter contas ativas quando usuários estão afastados há muito tempo ou até mortos.
O documento foi analisado por jornalistas do Business Insider, que explicaram como esse sistema funcionaria.
A IA criaria uma espécie de “clone digital”, que imita o estilo de postagens e interações para contas que não estão ativas.
Para isso, ela seria treinada com “dados específicos do usuário”, que a ensinaram a agir de forma muito parecida com a pessoa real. Com isso, seria possível:
Além dessas interações básicas feitas por escrito, a IA teria a capacidade de simular áudios, vídeos e até mesmo chamadas com a pessoa.
A Meta explica o motivo de ter cogitado um mecanismo que funcionasse dessa forma na própria patente.
Segundo o texto, quando alguém para de postar, a experiência de seus seguidores é prejudicada.
A empresa considera que a situação é ainda pior em caso de morte, já que a “pausa” nos conteúdos é permanente:
“O impacto para os usuários é muito mais grave e permanente se aquele usuário estiver falecido e nunca puder retornar à plataforma de rede social”, diz o documento.
Um porta-voz da Meta afirmou que o fato da patente ter sido registrada não significa que o produto será efetivamente lançado.
Essa não é a primeira vez que um projeto do tipo foi abandonado. A Microsoft chegou a registrar uma patente parecida em 2011, mas deixou a ideia de lado por a considerar “perturbadora”.
Ainda assim existem algumas empresas de tecnologia, como a Replika AI e 2wai, que oferecem chatbots baseados em pessoas mortas.
Especialistas têm criticado esse tipo de sistema, afirmando que pode esbarrar em uma série de questões éticas.
O advogado especializado em tecnologia Jeffrey Rosenthal afirma que questões de privacidade já são complexas quando se trata de pessoas vivas e isso pode ser pior com os mortos:
"Nos Estados Unidos, estamos enfrentando dificuldades com os direitos de privacidade dos vivos, quanto mais com os direitos de privacidade dos falecidos."
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