Empresa alega que fracasso na compra do banco gerou "pânico" e corrida por saques.
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Com o avanço do caso Banco Master, uma nova empresa ganhou destaque após protocolar um pedido de recuperação judicial.
Antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, um grupo tentou comprar a instituição por R$3 bilhões.
Estamos falando da Fictor, conhecida por parte do público por estampar sua marca na camisa do Palmeiras.
No entanto, de acordo com o Valor Econômico, o mesmo conglomerado que preparava um aporte bilionário acaba de entrar com pedido de recuperação judicial, declarando uma dívida de R$4 bilhões.
Fundado em 2007, a Fictor é um conglomerado de empresas que nasceu oferecendo financiamento ao agronegócio e se espalhou por diversos setores.
O grupo afirma gerir cerca de 30 empreendimentos que, somados, ultrapassam R$5,26 bilhões em negócios.
A Fictor liderava um consórcio para adquirir o Banco Master. No entanto, um dia após o anúncio da operação, o Banco Central decretou o fim da instituição de Daniel Vorcaro, barrando o negócio.
Segundo a Fictor, o fracasso da operação e a exposição midiática negativa geraram uma crise de confiança imediata.
O grupo alega que a associação de sua imagem ao banco liquidado provocou um "pânico generalizado".
Por esse motivo, os investidores correram para sacar o dinheiro. Até o dia 31 de janeiro, eles já tinham pedido de volta 71% de todo o valor que haviam investido na empresa.
Antes do pedido oficial de socorro, o sinal de alerta chegou aos tribunais. Na semana passada, a Justiça bloqueou R$150 milhões da empresa.
O motivo? Uma parceira acusou a Fictor de usar uma 'conta-garantia', uma reserva de dinheiro que, por contrato, deveria ficar intocada para cobrir emergências.
O juiz aceitou o bloqueio por suspeitar que o grupo usou esse caixa na tentativa afobada de comprar o Banco Master, ficando sem dinheiro para honrar seus compromissos.
O Que Acontece Agora? No pedido enviado à 3ª Vara de Falências, a Fictor solicitou uma "tutela de urgência" para suspender execuções e bloqueios por 180 dias.
O objetivo é ganhar tempo para reorganizar o fluxo de caixa e evitar que novas cobranças paralisem a operação. A empresa promete quitar as dívidas sem deságio (desconto).
O pedido de socorro não parou a empresa inteira. A recuperação judicial atinge apenas o coração financeiro do grupo (Fictor Holding e Fictor Invest).
Já o braço industrial, que produz alimentos e controla marcas como Dr. Foods e o abatedouro Fredini, ficaram de fora.
De acordo com o grupo, a estratégia é manter as fábricas rodando para salvar 3.500 empregos, mesmo com as ações da empresa despencando 50% na Bolsa desde novembro.
Na fila para receber, a lista é longa. A maioria são investidores comuns, mas há nomes de peso: o time do Palmeiras tem R$2,6 milhões a receber por causa do patrocínio.
Para o grupo, essa pausa judicial é a única forma de organizar a casa e pagar todos de forma igual, sem quebrar de vez.
A queda da Fictor é apenas mais um capítulo dramático na saga do Banco Master. Mas o que existe além das manchetes? Entenda no canal da Brasil Paralelo.