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O que Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes conversaram?

Veja a íntegra da troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes no dia em que o dono do Master foi preso.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Montagem com duas fotos. À esquerda, o ministro Alexandre de Moraes em trajes oficiais de magistrado. À direita, o empresário Daniel Vorcaro, vestindo terno azul-marinho e camisa azul clara, gesticulando com as mãos durante uma fala.
Fonte da imagem: Reprodução

Ontem, como noticiamos, a jornalista Malu Gaspar revelou uma conversa entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes horas antes de a Polícia Federal interceptar o ex-banqueiro.

Nos primeiros minutos desta sexta-feira (6), a mesma colunista foi além e revelou que aquele foi um dia inteiro de mensagens.

Segundo sua reportagem, Vorcaro e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, trocaram nove mensagens via WhatsApp entre as 7h19 e as 20h48 do dia da prisão de Vorcaro, pouco mais de uma hora antes da abordagem policial.

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Mensagens de visualização única

Os dois adotavam o mesmo método: escreviam o texto no bloco de notas do celular, tiravam um print e enviavam como imagem de visualização única.

Embora o conteúdo das respostas de Moraes não esteja disponível, as mensagens de Vorcaro permaneceram no celular apreendido pela Polícia Federal.

A conversa começou às 7h19. Vorcaro atualizou Moraes sobre a tentativa de vender o Banco Master ao grupo Fictor e logo mudou de assunto.

Ele alertou que o caso "começou a dar uma vazada" e foi direto: "Se vazar antes será péssimo, mas pode ser um gancho para entrar no circuito do processo." Encerrou pedindo novidades.

Moraes respondeu às 8h16, em visualização única.

Três horas depois, um site publicou que havia um inquérito sigiloso na 10ª Vara Federal de Brasília sobre irregularidades na compra do Master pelo BRB.

De acordo com a PF, Vorcaro havia obtido a informação ao acessar ilegalmente os sistemas da corporação e usou o site para torná-la pública, para então apresentar uma petição ao juiz Ricardo Leite pedindo para barrar sua prisão, determinada às 15h29. A petição chegou 18 minutos depois.

Às 17h22, Vorcaro voltou ao WhatsApp: "Fiz uma correria aqui pra tentar salvar." Quatro minutos depois: "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

Moraes respondeu às 17h31, em visualização única.

Às 20h04, nova mensagem: "Alguma novidade?" O ministro respondeu duas vezes seguidas.

A última mensagem saiu às 20h48, pouco mais de uma hora antes da abordagem no aeroporto.

Vorcaro comunicou que o anúncio da venda havia sido feito e acrescentou: "Acho que pode inibir."

Desta vez, Moraes não respondeu em visualização única. Reagiu com um emoji de polegar levantado.

Vorcaro não embarcou. Na noite de 17 de novembro de 2025, ao menos 15 agentes da Polícia Federal o interceptaram na área de raio-x do terminal de aviação executiva do Aeroporto de Guarulhos, por volta das 22h.

O Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central menos de 12 horas depois.

Moraes negou ter recebido as mensagens

Na quinta-feira, Moraes negou, por meio de nota, ter recebido as mensagens.

"O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens. Trata-se de ilação mentirosa no sentido de atacar o Supremo Tribunal Federal", disse a assessoria da corte.

Após a revelação das demais mensagens, o ministro preferiu não se manifestar à coluna.

A defesa de Vorcaro preferiu não comentar.

De acordo com Malu Gaspar, o blog do O Globo confirmou que o número nos prints é o do ministro.

Este é mais um episódio envolvendo o Banco Master. Um caso de muitas camadas que acabam se perdendo em tantas manchetes que surgem a cada dia. 

E para entender o que realmente aconteceu, é preciso ir além das manchetes.

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