Relato exclusivo descreve fuga em massa, falta de moradia e desespero nas estradas.

Desde o início da guerra contra o Irã, Israel tem lançado ataques contra o Hezbollah na região Sul do Líbano.
A ONU alertou para o impacto que essas ações podem ter na vida dos civis libaneses e fez um alerta para uma catástrofe humanitária na região.
A representante da Agência para Refugiados (ACNUR) no Líbano, Karolina Lindholm Billing, reforçou o alerta durante uma conversa com a imprensa:
"A situação permanece extremamente preocupante, e o risco de uma catástrofe humanitária... é real"
O cenário descrito pela organização incluí deslocamento em massa, destruição de infraestrutura e falta de acesso a serviços básicos.
Segundo a ONU, mais de 1 milhão de libaneses precisaram deixar suas casas por causa do conflito.
Isso representa aproximadamente 20% da população total do país, estimada em cerca de 4,5 milhões de habitantes.
O conflito tem acontecido desde 2023, porém voltou a se intensificar após ataques do Hezbollah contra Israel em resposta à operação contra o Irã, o grupo recebe apoio do país e tem fortes laços ideológicos com o regime.
Desde então, cidades inteiras foram evacuadas e pontes destruídas, o que dificultou tanto a fuga de civis quanto a chegada de ajuda humanitária.
Durante a conversa com a imprensa, Karolina Billing afirmou que milhares de pessoas ficaram praticamente isoladas:
“Desde que os bombardeios de Israel destruíram várias pontes no sul do Líbano, mais de 150 mil pessoas ficaram isoladas do resto do país, limitando severamente o acesso humanitário”.
Um libanês que mora no Brasil há 35 anos e tem família no país trouxe relatos para a Brasil Paralelo sobre a situação que o país enfrenta:
“Infelizmente em 24 horas 1 milhão e meio de libaneses ficaram nas ruas e nas estradas e a maioria que saíram do Sul do Líbano ficaram até 36 horas na estrada sentido a capital Beirute, as famílias passaram desespero, medo, necessidade e perigo.”
Ele conta que muitas famílias do Sul do Líbano passavam por dificuldades financeiras por conta da situação econômica do país e não conseguem um lugar para morar:
“A maioria da população não tinha situação financeira sólida que permitisse alugar uma casa, lembrando que nessa situação tem muitas pessoas das regiões que recebia refugiados, aproveitaram o momento e aumentaram os aluguéis até 5 vezes a mais do que era.”
Desde 2019, o Líbano passa por uma das piores crises econômicas do mundo, com hiperinflação e alto desemprego.
A guerra deverá tornar a situação ainda mais grave, com uma queda de até 9,2% do PIB e possibilidade da pobreza extrema chegar a mais de 55% da população.
Enquanto não conseguem uma casa na capital, muitas famílias têm morado em locais improvisados, como escolas, centros preparados para essa situação, barracas e até praças.
Os abrigos oficiais na cidade de Beirute têm capacidade para comportar cerca de 130 mil pessoas, um número muito inferior ao total de deslocados.
Essa situação faz com que muitos libaneses escolham continuar em suas casas, apesar dos riscos.
“Uma parte dos libaneses do Sul ficaram nas suas casas e não quiseram sair. Desde o primeiro dia da guerra casas e prédio tem sido alvo e isso eliminou muitas famílias, que morreram enquanto estava dormindo. Isso acontece todos os dias, o Povo do Sul do Líbano sempre está vivendo neste perigo”.
A Brasil Paralelo levou suas câmeras para o Oriente Médio, onde investigou as raízes do conflito na região com o documentário From the River to the Sea. Assista completo abaixo: