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Justiça considera panfleto cristão como discurso de ódio na Finlândia

Condenada disse que a decisão fere a liberdade de expressão e fala em acionar a Corte Europeia de Direitos Humanos.

Por
Rafael Lorenzo M Barretti
Publicado em
parlamentar e bispo que foram condenados após panfleto ser considerado discurso do ódio
Fonte da imagem: Helsinki Times

A Suprema Corte da Finlândia decidiu que um panfleto com a visão cristã sobre casamento e sexualidade pode ser enquadrado como discurso ofensivo

O caso é o fim de um processo que se arrasta há anos e passou por diferentes interpretações dentro do próprio Judiciário finlandês.

Segundo a decisão, o material continha afirmações que poderiam ser consideradas “insultantes” a um grupo, critério para caracterizar crime.

A decisão também acabou com a condenação de três pessoas ligadas ao material: a parlamentar Päivi Räsänen, um bispo luterano e uma fundação religiosa.

Parte dos panfletos deverá ser retirada de circulação e os condenados deverão pagar milhares de euros em multas.

Um caso que dividiu tribunais

Antes de chegar à Suprema Corte, o caso havia sido analisado por duas instâncias inferiores, que absolveram unanimemente a parlamentar de todas as acusações.

A acusação sustentou que determinadas frases do panfleto, incluindo uma que descrevia a homossexualidade como um “distúrbio psicosexual”, ultrapassariam o limite legal.

Já a defesa argumentou que o texto deveria ser interpretado dentro de seu contexto religioso e histórico, além de destacar a questão da liberdade de expressão.

Este caso nunca foi apenas sobre mim… Sempre foi sobre se a Finlândia permanecerá um país onde as pessoas são livres para falar, escrever e viver de acordo com sua consciência, sem medo ou processo criminal”, disse a parlamentar.

Processo começou após publicação da parlamentar

O processo começou em 2019, após a parlamentar criticar o apoio de sua igreja a um evento LGBT, citando a Bíblia em uma rede social. 

A investigação se ampliou e passou a incluir o panfleto, que havia sido produzido em 2004, além de outras declarações públicas.

Embora a Justiça tenha afirmado que as falas não incitaram violência ou ódio, considerou que alguns trechos ainda assim poderiam ser classificados como ofensivos.

Räsänen afirmou que estuda recorrer à Corte Europeia de Direitos Humanos e disse que continuará expressando suas convicções publicamente.