A polícia atribuiu ao humorista o início da discussão. Ele foi ouvido e liberado durante a madrugada.

Na noite do último sábado (21), o humorista Tiago Santineli estava em cartaz no Teatro da Maçonaria, em Belo Horizonte. O show era sobre umbanda e religiões de matriz africana.
Do lado de fora, um grupo de cristãos realizava uma vigília de oração contra o espetáculo. Santineli deixou o teatro e a situação escalou. Após as discussões, ele e outras duas pessoas foram levados à delegacia para prestar depoimento.
As versões divergem.
De acordo com o humorista, integrantes do grupo avançaram em sua direção ao chamá-lo de "satanista", filmando-o e pedindo que ele "voltasse para a terra dele".
Ele afirmou que um dos manifestantes projetou o corpo para trás durante o confronto verbal e que reagiu empurrando o rapaz como forma de se defender. Uma testemunha confirmou sua versão.
Os manifestantes contam outra história. Um deles disse à polícia que o grupo exercia o direito de manifestação religiosa e que foi Santineli quem começou a provocá-los após a divulgação de vídeos nas redes.
Uma mulher afirmou ter sido alvo de ofensas por parte do humorista.
Santineli teria dito que “mulher tem que calar a boca e que não teria direito de fala”, além de afirmar que ela “merecia ser chutada”.
A Polícia Militar atribuiu a Santineli o início da discussão. Ele foi ouvido durante a madrugada pela 2ª Central Estadual do Plantão Digital e liberado em seguida.
O caso será investigado pela delegacia responsável. O show aconteceu em duas sessões, sem cancelamento.
No Instagram ele acumula 927 mil seguidores e se descreve como "militante, ex-comediante" e costuma publicar conteúdo crítico ao cristianismo.
Sua foto de perfil mostra esse posicionamento: uma representação de si mesmo nos moldes da iconografia cristã, com a foice e o martelo no lugar do Sagrado Coração de Jesus.
Santineli já teve shows cancelados por pressão política em outras cidades. Em outubro do ano passado, a apresentação "Anticristo" foi desmarcada em Santa Catarina, após pressões que ele atribuiu ao prefeito André Vechi e ao empresário Luciano Hang.
Em Curitiba, outro show foi suspenso após atuação de vereadores locais.
O humorista também perdeu o visto americano após fazer piadas sobre a morte do ativista conservador Charlie Kirk.
"Sou o primeiro comediante do mundo a ser banido de entrar nos EUA por causa de piada", comentou.
Natural do Distrito Federal, Santineli é filho de um pastor da Assembleia de Deus e frequentou a igreja até os 24 anos.
Formou-se em Direito, mas nunca atuou na área. Construiu sua carreira no stand-up com espetáculos que usam sua experiência religiosa como material para críticas ao que chama de exploração da fé e fundamentalismo.
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