Mergulhadores conversaram com pescadores e reuniram relatos que ajudaram a fazer uma descoberta histórica.

Há 82 anos, o navio Tutoya foi partido ao meio por um torpedo disparado por um submarino alemão e afundou na costa brasileira durante a Segunda Guerra Mundial.
Naquela época, submarinos alemães, conhecidos como U-boats, patrulhavam o Atlântico para cortar rotas de abastecimento dos aliados.
Em julho de 1943, o Tutoya navegava com as luzes apagadas, uma estratégia muito usada para evitar ataques.
A embarcação foi abordada e recebeu ordem para acender as luzes e reduzir a velocidade. O comandante acreditou que se tratava de um navio de patrulha e obedeceu.
Assim que se tornou visível, o submarino alemão U-513 disparou um torpedo que partiu o cargueiro ao meio.
O navio afundou rapidamente e sete membros da tripulação morreram, entre eles o comandante.
O Tutóia ficou perdido sob as águas do Atlântico até ser reencontrado ainda no começo deste ano.
Agora, uma equipe de pesquisadores encontrou o navio afundado a 21 metros de profundidade, entre as cidades de Peruíbe e Iguape.
A redescoberta do Tutoya foi liderada pela instrutora de mergulho especialista em naufrágios Tatiana Mello.
Sem coordenadas de onde o navio afundou, ela precisou da ajuda do marinheiro Clayton Aloise, que conversou com pescadores da região e reuniu relatos sobre possíveis pontos do naufrágio.
Com as informações reunidas, a equipe partiu da Serra do Guaraú, em Peruíbe. As coordenadas foram inseridas no GPS, e a busca começou com o uso de sonar.
Somente na terceira marcação surgiu um relevo incomum no fundo do mar. Segundo os mergulhadores, a imagem indicava uma grande estrutura metálica.
Uma boia foi lançada como referência. Com base nas dimensões conhecidas do navio e munidos de equipamentos de imagem e medição, os pesquisadores decidiram mergulhar.
“Quando a gente saiu da água e pôde compartilhar com eles: ‘Gente, tudo bateu’. As medidas bateram, a pesquisa bateu, a gente está mergulhando no Tutoya, é emocionante”, Tatiana contou à Globo.
A identificação oficial ocorreu em 26 de dezembro de 2025.
Segundo os pesquisadores, o local está preservado. Nada foi removido e nem pode ser, por conta da legislação brasileira, como afirmou o mergulhador e especialista Maurício Carvalho ao portal G1:
“Esse navio está protegido pelas leis brasileiras, nada pode ser removido dele, nada pode ser extraído, então ele já tem a sua proteção garantida. Agora, com a sua identificação, ele vira um ponto que vai ser utilizado, por exemplo, pela operadora Novos Mares para levar mergulhadores interessados em contar essas histórias”
Por estar a 21 metros de profundidade, o Tutoya pode ser visitado por um número maior de mergulhadores.
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