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Brasileiro lidera 34 acampamentos na Antártica e coloca o país no topo do estudo climático mundial

Carlos Schaefer passou 25 anos mapeando solo congelado em regiões nunca antes estudadas com apoio da Marinha do Brasil.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Grupo de perfuração no gelo.
Fonte da imagem: Arquivo Expedição Antártica/UFRGS

Quando o cientista Carlos Schaefer era criança, ele passava horas lendo livros sobre regiões polares e sonhando com um lugar que parecia inalcançável.

Décadas depois, ele transformou esse interesse em uma das pesquisas brasileiras mais relevantes sobre mudanças climáticas no planeta.

Após 25 anos de expedições à Antártica, o professor da Universidade Federal de Viçosa lidera uma rede inédita de monitoramento do permafrost, o solo permanentemente congelado do continente. Isso ajudou a colocar o Brasil entre as principais referências mundiais no tema.

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A pesquisa enfrentou um dos climas mais severos do mundo

Ao longo desse período, Schaefer liderou 34 acampamentos científicos em áreas remotas da Antártica. Em 27 desses locais, os pontos de monitoramento continuam ativos até hoje.

Muitas dessas regiões nunca haviam sido estudadas antes.

O foco da pesquisa está em entender o que acontece quando o permafrost começa a derreter.

O solo congelado funciona como um dos principais termômetros das mudanças climáticas. Quando ele descongela altera a composição química do solo, modifica ecossistemas e pode até fazer espécies vegetais surgirem ou desaparecerem.

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O Brasil lidera o monitoramento climático

Foi para acompanhar essas mudanças ao longo do tempo que o grupo brasileiro criou uma base contínua de dados no continente.

Hoje, segundo Schaefer, o Brasil lidera o monitoramento climático do permafrost na região.

Mas a ciência só chegou até ali porque houve uma operação logística complexa por trás dela.

As missões dependem do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) e do apoio da Marinha do Brasil, responsável por transportar pesquisadores, equipamentos e suprimentos até áreas isoladas do continente.

Navios como o Almirante Maximiano e o Ary Rongel, além de aeronaves e da Estação Antártica Comandante Ferraz, sustentam as operações.

Sem essa estrutura, a pesquisa seria inviável.

Uma tempestade quase destruiu parte do acampamento

Em uma das expedições, uma tempestade destruiu parte do acampamento científico. Dois dias depois, a equipe havia reconstruído tudo e retomado os trabalhos.

O projeto começou formalmente após um edital lançado em 2001 para monitoramento ambiental na Antártica. Desde então, a pesquisa também passou a estudar a poluição e os impactos da presença humana no continente.

Ao olhar para trás, Schaefer conecta o cientista que se tornou ao menino que lia sobre gelo.

Enquanto o planeta tenta entender os efeitos do aquecimento global, parte dessas respostas está sendo buscada por brasileiros em um dos lugares mais frios e isolados da Terra.

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