Brilho roxo que durou poucos minutos foi registrado por Egon Filter, especialista em astrofotografia.
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24 horas após a tempestade solar mais severa em duas décadas atingir a Terra, alguns moradores da pequena Cambará do Sul viram um brilho roxo no céu.
A possível aurora boreal da noite de 20 de janeiro durou poucos minutos, mas foi o bastante para o registro que chamou a atenção dos maiores pesquisadores astronômicos do mundo.
O fotógrafo gaúcho Egon Filter, com mais de quatro décadas de experiência em astrofotografia, registrou o fenômeno e disse que a imagem parecia com a aurora austral, o equivalente à aurora boreal no Hemisfério Sul.
"Já fotografei diversos fenômenos visuais e astronômicos no céu mundo afora. Esse me parece muito uma aurora austral, o que me arrepiou de emoção no momento do clique", disse o fotógrafo.

Filter, que já fez expedições a mais de 100 países, também disse que a aurora pode ser o resultado de uma intensa tempestade solar que aconteceu no dia anterior.
"A aurora boreal e a aurora austral ocorrem normalmente em latitudes acima do paralelo 60 graus. O Rio Grande do Sul está na latitude entre 29 e 33 graus, mas sei que podem ocorrer exceções em caso de tempestades solares, e uma bem violenta aconteceu um dia antes, por isso acredito que vimos uma aurora”, disse Filter.
A maior tempestade solar em 20 anos atingiu a Terra na última semana. Radiação e outras partículas tocaram o campo magnético do planeta e criaram imagens nos céus de várias partes do mundo.
A chuva de raios solares foi tão rigorosa que poderia afetar sistemas de GPS e satélites, além de influenciar a aparição de auroras boreais, segundo o Centro de Previsão do Clima Espacial dos EUA, que a classificou em 4 de 5 quanto ao nível de severidade.
Um dia depois, surge a pintura no céu de Cambará do Sul. E além da hipótese de aurora, o fenômeno pode ter sido um “airglow”, um brilho produzido por colisões de átomos e moléculas na alta atmosfera após eventos geomagnéticos intensos.

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em Santa Maria, José Valentin Bageston, afirmou que o evento em Cambará pode ter características únicas e ainda não tem explicação definitiva.
Após 25 anos de monitoramento geomagnético na região, o brilho roxo chamou a atenção de pesquisadores americanos do site Space Weather, referência mundial em registros astronômicos.
Egon Filter é especialista em astrofotografia e segue registrando eventos como o da aurora, ou a aparição de estrelas, como o Cometa Tsuchinshan na mesma região do Brasil:

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