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Princesa é cancelada na Bienal de São Paulo por violência promovida por seu bisavô

Marie-Esmeralda é conhecida por pautas de feminismo e meio ambiente.

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Redação Brasil Paralelo
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Marie-Esmeralda, a princesa que foi cancelada da bienal de São Paulo.
Fonte da imagem: Reprodução

A curadoria da 36ª Bienal de Arte de São Paulo cancelou um debate programado com a princesa belga Marie‑Esmeralda.

Além de sua posição na família real, ela atua como jornalista e ativista em causas feministas e ambientais.

Atualmente, ela ocupa o cargo de presidente do Fundo Leopoldo III para a conservação da natureza.

A retirada da princesa da programação foi justificada pela organização com “preocupações com segurança” e por “cnflito entre o passado colonial belga e os temas da exposição”.

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A curadoria informou que a participação da princesa poderia gerar tensão no evento com mais de 80% dos artistas participantes oriundos da diáspora africana. Leia a nota completa abaixo:

A Fundação Bienal de São Paulo confirma o cancelamento de atividade de programação prevista para quinta-feira, 6 de novembro, com a princesa Esmeralda da Bélgica e o fotógrafo João Farkas.
A decisão foi motivada por preocupações com segurança e em consonância com avaliação da curadoria da 36ª Bienal, dado o conflito entre o trágico passado colonial belga e os temas abordados pela exposição."

O reinado de terror de Leopoldo II

No final do século XIX, o rei Leopoldo II estabeleceu um regime marcado por violência e repressão que causou a morte de milhões no Congo.

A região não pertencia oficialmente à Bélgica, mas estava sob comando do monarca como uma área de ajuda humanitária e livre comércio.

Apesar das promessas de administrar as obras de suas instituições de caridade, Leopoldo organizou a exploração brutal dos recursos naturais.

Trabalhadores forçados eram empregados na extração de riquezas como látex e marfim. O uso de violência extrema para reprimir os escravizados era constante

Métodos como desmembramento de familiares, torturas, estupros, castigos físicos e assassinatos eram corriqueiros.

Estimativas apontam que aproximadamente de 10 milhões de pessoas podem ter sido mortas durante o período em que o rei comandou a região.

Ao longo dos 23 anos em que ele foi dono do Estado Livre do Congo, muitas denúncias sobre as terríveis condições vieram a público. Uma das mais famosas veio do escritor Joseph Conrad, que redigiu em 1902 a obra Coração das Trevas.

As denúncias levaram à pressão das demais potências coloniais contra o Rei, uma vez que o mesmo estaria violando os acordos.

O monarca cedeu a região para a administração colonial belga. A mudança deu fim ao genocídio e país seguiu sob domínio europeu até sua independência em 1960.

Marie‑Esmeralda é bisneta de Leopoldo II, apesar disso ela já se posicionou publicamente contra o passado de sua família, pedindo desculpas formais da Bélgica.

Ela chegou a solicitar a retirada de estátuas de Leopoldo II em solo belga. Em entrevista, afirmou: 

Não somos responsáveis por nossos ancestrais, mas temos a responsabilidade de falar sobre isso.” 

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