Os portugueses conquistaram Ormuz no século em que o Brasil foi descoberto.

Os jornais falam todos os dias de um lugar que, para muitos, era até então desconhecido. Isso porque ele se tornou a principal arma do Irã para responder às investidas dos Estados Unidos e de Israel, diante da superioridade militar desses países.
Estima-se que cerca de 20% do petróleo mundial passe pelo Estreito de Ormuz. Por isso, um possível bloqueio da região pode gerar graves consequências, especialmente com a alta no preço dos combustíveis em todo o mundo.

A importância dessa região não é de hoje. Há séculos, potências militares veem no Estreito de Ormuz um ponto estratégico para o comércio global.
Foi justamente essa visão que levou Portugal a conquistar o território no mesmo século em que descobriu o Brasil.
O século XVI foi palco das chamadas Grandes Navegações. As principais potências europeias buscavam ampliar sua influência para além do continente, com o objetivo de propagar a fé, encontrar novas rotas comerciais e expandir seu domínio político.
A descoberta do Brasil aconteceu justamente nesse contexto. Uma expedição liderada por Pedro Álvares Cabral tinha como objetivo oficial chegar à Índia utilizando uma rota marítima pelo sul da África.
Um desvio, que até hoje é discutido se foi proposital ou não, acabou trazendo os portugueses às terras brasileiras.

Essa busca por alternativas econômicas e ideais religiosos também levou Portugal a se interessar pelo Estreito de Ormuz.
Ainda no século XVI, Afonso de Albuquerque liderou uma missão para conquistar o Estreito, em 1506. A tomada definitiva da cidade ocorreria anos depois, em 1515.
O território de Ormuz funcionava como um principado mercantil. No entanto, sua autonomia era bastante limitada, já que vivia sob forte influência da Pérsia Safávida.
Para o soberano persa da época, o xá Ismail, o principado de Ormuz era considerado seu vassalo.
Quando Afonso de Albuquerque iniciou a conquista do território, a partir de 1506, sua ação despertou a fúria do xá Ismail, o que obrigou os portugueses a enviarem diplomatas para apaziguar o líder persa.
Após a tomada da cidade, os portugueses não extinguiram imediatamente o reino local. Em vez disso, estabeleceram um sólido protetorado sobre Ormuz, assumindo o controle militar, com a construção de uma fortaleza, e o domínio da alfândega local.
Um protetorado é um território que possui autonomia até certo ponto, pois ele ainda está submetido ao mando de uma potência, que no caso era Portugal.
Portugal queria controlar o Estreito de Ormuz principalmente por motivos econômicos. Naquela época, por ali passavam produtos muito valiosos, como as especiarias.
Ao dominar esse ponto, os portugueses conseguiam desviar o comércio para rotas sob seu controle, aumentando os lucros e enfraquecendo concorrentes, como italianos, árabes e turcos.
Com o tempo, perceberam que não era possível impedir totalmente o comércio na região. Por isso, mudaram de estratégia e passaram a cobrar impostos dos navios que cruzavam o estreito.
Isso transformou Ormuz em uma grande fonte de renda, ajudando a financiar o império português no Oriente.
Além do interesse econômico, havia também objetivos militares e religiosos. Ormuz era um ponto estratégico para vigiar e conter inimigos, especialmente o Império Otomano.
Naquele contexto, Portugal via sua expansão como parte de uma luta contra povos muçulmanos e buscava alianças com inimigos desses grupos, como a Pérsia.
Os portugueses foram expulsos de Ormuz em 1622 por uma aliança entre a Pérsia e a Inglaterra. De um lado estava o rei persa Abbas I; do outro, a companhia inglesa East India Company. Juntos, eles tomaram a fortaleza e encerraram o domínio português na região.
A perda foi um golpe duro, sobretudo para o comércio, já que Ormuz era uma das principais fontes de riqueza de Portugal no Oriente.
Nos anos seguintes, Portugal reagiu. Criou uma nova base em Mascate e construiu outras fortalezas ao longo da costa.
Embora nunca tenha recuperado o mesmo poder de antes, o país ainda conseguiu manter presença no Golfo Pérsico por algumas décadas.
Portugal não surgiu por acaso, foi moldado em séculos de guerra, fé e conquista
Desde a Reconquista, com Dom Afonso Henriques, até a proteção dos Templários transformados na Ordem de Cristo, o país carregava um espírito de missão que ia muito além do comércio.
As navegações não eram apenas sobre riquezas, mas sobre fé, propósito e a busca por algo maior.
Foi esse mesmo impulso que levou nomes como Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral a atravessarem oceanos desconhecidos.
A chegada ao Brasil, em 1500, não foi vista como sorte, mas como parte de um plano, algo guiado pela Providência.
Para os portugueses da época, cada nova terra descoberta tinha um significado espiritual e histórico.
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