Novo relatório revela que o planeta nunca emitiu tanto dióxido de carbono quanto em 2024.

Um novo relatório da Comissão Europeia revela que o planeta nunca emitiu tanto dióxido de carbono quanto em 2024.
Enquanto líderes se reúnem em Belém do Pará para discutir metas climáticas na COP30, novos dados reforçam a distância entre discurso e prática.
Segundo o relatório da Comissão Europeia, as emissões globais de gases de efeito estufa atingiram 53,2 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024, um aumento de 1,3% em relação ao ano anterior, o maior nível já registrado.
O estudo, apresentado anualmente à ONU, mostra que, apesar das promessas do Acordo de Paris, o mundo segue em trajetória oposta à necessária para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
De acordo com a ONU, seria preciso reduzir as emissões em 42% até 2030 em relação a 2019.
Paralelamente, um painel do Tribunal de Contas da União (TCU), também apresentado na COP30, revelou outro dado preocupante: nove em cada dez países não sabem quanto investem em políticas climáticas, e quatro em cada dez sequer têm planos de adaptação aos efeitos do aquecimento global.
De acordo com o relatório europeu, seis economias respondem por 61,8% das emissões globais:
A China lidera com 15,5 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, um aumento de 0,8% em relação a 2023.
Já os Estados Unidos registraram alta de 0,4%, enquanto a Índia teve o maior salto absoluto (+164,8 Mt CO₂eq).
A Indonésia foi o país com maior crescimento proporcional (+5%).
Entre os grandes emissores, apenas a União Europeia reduziu suas emissões em 1,8%, mantendo um declínio acumulado de 35% desde 1990.
No total, as emissões de CO₂ fósseis representam 74,5% do total global, seguidas por metano (17,9%), óxidos de nitrogênio (4,8%) e gases fluorados (2,8%)
O Brasil ocupa o 7º lugar no ranking global, com 1,29 gigatoneladas de CO₂ praticamente empatado com a Indonésia, cuja emissão foi de 1,3 Gt.
A diferença entre os dois é mínima, dentro da margem de erro internacional (±2%), o que explica por que algumas fontes, como o Observatório do Clima, colocam o Brasil em 6º lugar.
Segundo os dados nacionais, o país reduziu suas emissões em cerca de 17% em 2024, impulsionado pela queda no desmatamento e por um leve avanço em políticas de transição energética.
No entanto, a melhora não é suficiente para cumprir as metas assumidas em 2015, já que o Brasil ainda é um dos principais emissores por uso da terra e florestas (LULUCF), setor que responde por boa parte de suas emissões totais.
Enquanto o Brasil demonstra capacidade de reduzir emissões rapidamente, também apresenta dificuldades para inovar nas formas de manter uma redução contínua.
Para descobrir as razões dessa estagnação, você pode assistir o documentário “Cortina de Fumaça” da Brasil Paralelo, que investiga o que há por trás das grandes queimadas na Amazônia, uma pauta que é comumente deturpada e utilizada para fins políticos.