Com perfil de articulador, Lima transita entre alianças com o PT no Nordeste e o casamento com uma ex-ministra de Jair Bolsonaro.

Augusto Ferreira Lima, o "Guga Lima", é o nome central por trás do Banco Pleno, liquidado hoje pelo Banco Central.
Braço direito de Daniel Vorcaro no Grupo Master até julho de 2025, Lima assumiu o controle do antigo Banco Voiter em uma transação que já nasceu sob pressão, herdando uma dívida de quase R$7 bilhões.
Assim como seu ex-sócio, Lima possui um perfil articulador. Ele consolidava contratos com lideranças do PT no Nordeste ao mesmo tempo que mantinha proximidade com o governo Bolsonaro, sendo casado com uma ex-ministra da gestão.
Essa capacidade de articulação, porém, não foi suficiente para blindar seus negócios. Nos últimos meses, Lima ganhou as manchetes ao ser preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga irregularidades no Banco Master.
Embora tenha sido solto pouco tempo depois, o episódio acelerou a crise de confiança na sua nova instituição.
Com a liquidação decretada nesta quarta-feira (18), encerra-se o ciclo de um banqueiro que tentou reerguer uma estrutura bilionária de dívidas enquanto equilibrava influências nos polos opostos do poder.
Augusto Ferreira Lima construiu sua trajetória como o estrategista por trás do Credcesta, um cartão de benefício destinado a servidores públicos.
A origem desse sucesso está na Bahia: Lima adquiriu os direitos da antiga estatal Ebal (Cesta do Povo) e transformou um serviço regional em uma máquina nacional de crédito, oferecendo desde empréstimo via conta de luz até via FGTS.
Lima também é conhecido por sua habilidade política, conseguindo navegar em lados opostos com a mesma naturalidade.
No Nordeste, consolidou sua base de negócios por meio de contratos e parcerias com lideranças do PT.
Ele também é casado com Flávia Arruda, ex-ministra da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro.
Essa força comercial levou Lima ao posto de CEO e sócio do Banco Master, ao lado de Daniel Vorcaro.
Juntos, eles levaram o Master à uma das expansões mais agressivas do setor. Sob sua liderança, a instituição viu o número de clientes saltar 70% entre 2023 e 2024, ultrapassando a marca de 5 milhões de usuários ativos.
No entanto, a parceria chegou ao fim em 2024. No rearranjo, Lima decidiu seguir sozinho, levando consigo o Banco Pleno (ex-Voiter) e a operação integral do Credcesta.
O negócio já nasceu sob pressão. Ao assumir o Pleno, Lima herdou uma estrutura com dívidas acumuladas na casa dos R$6 bilhões.
O Banco Central só autorizou a troca de comando em julho de 2025 sob uma condição: um plano de emergência para crises de falta de dinheiro (liquidez).
Em uma tentativa de salvar a instituição, Lima chegou a injetar R$600 milhões do seu próprio patrimônio para pagar investidores (CDBs) e manter as portas abertas enquanto buscava um comprador.
Ele tentou usar a rentabilidade do Credcesta como "isca" para atrair grupos estrangeiros, mas a dívida bilionária e as restrições do Banco Central travaram qualquer acordo.
O cenário piorou em novembro de 2025. Lima foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteiras de crédito do Master ao banco BRB.
Embora tenha sido solto em menos de duas semanas, o estrago na imagem foi fatal. O mercado perdeu a confiança e investidores se afastaram.
A dívida bilionária e as restrições do Banco Central impediram qualquer acordo. Diante da falta de recursos e de desobediências às normas de segurança, o BC decidiu hoje encerrar as atividades da instituição.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.