Cantor é alvo de operação contra rede que usava invasão de celulares e apostas on-line para lavar dinheiro ilícito.

Com mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais e mais de 11 milhões de ouvintes mensais, o MC Negão Original é conhecido por suas letras do estilo “proibidão”.
Hoje, o motivo que levou o cantor aos noticiários não foram suas músicas, mas o fato dele ter sido um dos principais alvos da operação Fim da Fábula, da Polícia Civil de São Paulo. O funkeiro estaria no centro de uma investigação sobre crimes digitais.
O MC, que se chama João Vitor Ribeiro, foi alvo de um mandado de prisão temporária.
Ele é suspeito de integrar uma organização criminosa que movimentou cerca de R$100 milhões através de fraudes tecnológicas e lavagem de dinheiro em plataformas de apostas on-line.
O esquema desmantelado pelo Deic e pelo Ministério Público funcionava como uma engrenagem de alta precisão. O grupo aplicava golpes variados, desde o "falso advogado" até a sofisticada "mão fantasma", onde o celular da vítima é invadido remotamente.
Para ocultar o rastro do dinheiro, os valores passavam por empresas de tecnologia e eram "lavados" em sites de apostas.
A Justiça determinou o bloqueio de 86 contas bancárias e o confisco de um patrimônio que inclui 36 imóveis, embarcações e carros de luxo, muitas vezes registrados em nome de terceiros.
Até o momento, o cantor não foi preso.
Antes de se tornar uma figura central no funk proibidão, João Vitor percorreu caminhos ambíguos.
Na adolescência, João Vitor foi internado por seis meses em uma clínica de acolhimento após se envolver com o tráfico de drogas e com a aplicação de golpes online.
Embora ele descreva esse período como um momento de conversão espiritual, a polícia investiga se a prática de fraudes digitais nunca foi abandonada, servindo de base para o esquema milionário atual.
Logo em seguida, ele se tornou pregador evangélico, viajando pelo país sob a imagem de ex-criminoso regenerado.
Foi essa mesma visibilidade que, em 2023, facilitou sua entrada no funk e a construção de uma fachada de sucesso, com cachês de R$30 mil e participações em séries da Netflix.
Para os investigadores, a frase que ele publicou em suas redes, "Na igreja, no crime e no funk eu tive destaque", não é apenas um desabafo, mas um reconhecimento de que ele utilizou todas essas esferas para operar e lavar dinheiro.
Enquanto a polícia realiza buscas em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, o cantor permanece foragido.
Sua defesa sustenta que ele é inocente e que sua riqueza provém exclusivamente da música. O caso segue sob investigação para separar o faturamento artístico do dinheiro obtido através das milhares de vítimas do grupo.
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