Cidade foi construída na Suíça pelo império romano e hoje abriga a ONU.

Você deve conhecer Genebra como uma das capitais do luxo, já que algumas das principais marcas de relógios do mundo são suíças e escolheram transformar a cidade em sua principal vitrine.
Foi justamente essa indústria que me levou para lá. Eu havia sido convidado para cobrir o Watches and Wonders, uma das principais feiras de relógios no mundo.
A cidade também fica repleta de eventos paralelos organizados por marcas menores, como o Time to Watches e a feira Chronopolis, que também visitei.
Após uma semana intensa acompanhando os últimos lançamentos, resolvi dar uma volta pelas ruas de Genebra.
Como estava sem um roteiro para esse dia, optei apenas por caminhar em linha reta pelas ruas que cercavam o hotel no qual fiquei hospedado, o Bristol.
O hotel fica em uma região central e não pertence às grandes companhias internacionais de hotelaria, como a maioria das hospedarias na cidade, ao invés disso, o local é propriedade de uma senhora de 80 anos.
O filho dela faleceu em um acidente de helicóptero quando tinha 24 anos, o que fez com que decidisse usar parte de seu dinheiro para causas sociais ao redor do mundo, especialmente cuidando de crianças.
Por esse motivo, os quartos têm quadro de pessoas ajudadas pelas iniciativas patrocinadas por ela.
Caminhando por Genebra vi uma arquitetura interessante, o cenário é repleto de prédios clássicos que hospedam lojas de luxo.
Durante meu passeio, vi a catedral de Saint Pierre. Grandiosa, essa igreja milenar atraiu minha atenção.
Caminhando em direção ao lugar para tentar tirar fotos, me deparei com uma escadaria antiga de pedra que parecia carregar séculos em seus degraus e decidi subir.
Vagando pelas ruas estreitas da Genebra medieval encontrei uma construção antiga com bandeiras da ONU e o brasão da cidade.
Entrei sem saber do que se tratava, maravilhado pela estrutura, quando encontrei um breve vídeo com a explicação daquele local.
Chamada de Hôtel de Ville, o local é a câmara municipal de Genebra. O térreo do edifício é aberto para visitação e ostenta uma placa em homenagem à convenção de Genebra, que foi realizada lá.

“Nesta sala foi assinada, em 22 de agosto de 1864, a primeira Convenção de Genebra para a melhoria da sorte dos militares feridos nos exércitos em campanha, ato inicial da atividade da Cruz Vermelha Internacional”.
A conferência reuniu representantes de 12 países europeus e estabeleceu as regras para o tratamento de feridos em conflitos, além de regras básicas para a guerra.
Em frente ao edifício, vi uma série de canhões expostos ao lado de belos murais que contavam a história da região, eram três obras uma ao lado da outra.
A primeira fazia referência à chegada dos romanos na região. Júlio César chegou a comandar tropas na região durante a Batalha de Geneve, em 58 a.c.

O militar romano combatia os gauleses, tribo que vivia na região que atualmente faz parte da França, Suíça e países vizinhos.
Até os dias de hoje é possível visitar as ruínas da cidade romana que deu origem a Genebra no sítio arqueológico embaixo da igreja de Saint Pierre.
As escavações estão repletas de resquícios da civilização romana que habitava a cidade durante os primeiros séculos do cristianismo.

O local também está repleto da história milenar da igreja, que foi construída sobre as ruínas de outras três mais antigas.
O segundo mural fazia referência à cidade no período medieval e traz uma placa com o inscrito “Na Idade Média, o condado de Genevois e as feiras da cidade.”

O terceiro mural falava sobre a chegada dos huguenotes na cidade e estava acompanhado de uma placa onde se lê a frase “(a região de) Herault acolhe os refugiados huguenotes”.

Os huguenotes eram protestantes calvinistas que viviam na França e deixaram o país em meio a uma onda de violência e conflitos religiosos.
Após deixarem o país, eles foram acolhidos em Genebra, onde se estabeleceram após a cidade votar e aderir à reforma protestante.
Em 1536, o conselho dos 200, órgão que legislava na cidade, aprovou por votação a adesão ao protestantismo.
A casa onde o pleito aconteceu ainda existe e atualmente abriga o museu da reforma protestante, com um grande acervo que atravessa toda a trajetória dessa vertente do cristianismo.
A exposição traz pinturas, livros e objetos históricos que remetem a todo o processo da reforma protestantes, desde Lutero até os dias atuais.
Saindo da parte antiga da cidade me deparei com um grande parque, onde pessoas jogavam xadrez com peças gigantes e em pequenas mesas ao redor.
Logo em frente ao parque está o belo teatro de Genebra e um busto de Henri Dunant, o criador da Cruz Vermelha Internacional.

A Organização também se tornou um dos pontos que visitei durante minha estadia em Genebra.
Em frente ao palácio que abriga uma das principais sedes da ONU está a sede de uma das ONGs mais importantes do mundo.
A estrutura de operações deles está dividida em uma série de prédios que não podem ser visitados, porém lá fica o Museu da Cruz Vermelha, um espaço dedicado à história da instituição.
A entrada traz alguns trabalhos artísticos com referência a questões como direitos humanos e os horrores da guerra.
Um pouco mais à frente existe um local com presentes entregues por prisioneiros a membros da organização que prestavam socorro.
Entre os itens, um dos que mais chamou a atenção foi uma escultura de um cálice feito com pão por presos políticos na Polônia comunista em 1982.

Os corredores do museu estão repletos de totens que mostram histórias reais das vítimas de conflitos e desastres naturais, muitas que carregam fortes testemunhos do trabalho da organização.
Pouco à frente há um grande arquivo com os documentos referentes a soldados mortos e desaparecidos durante a primeira guerra mundial.

Na época em que o conflito acontecia, a Cruz Vermelha Internacional levava informações sobre soldados feridos ou desaparecidos para os familiares.
A organização continua prestando esse tipo de serviço até os dias de hoje, nos conflitos modernos em que atua.
Pouco mais à frente havia uma sala dedicada às vítimas do massacre de Srebrenica, que aconteceu durante a guerra da Bósnia na Década de 1990.
Em seguida, a exposição mostra algumas propagandas antigas da organização e alguns detalhes sobre o trabalho da agência em grandes desastres.
Se você é um amante da relojoaria, como eu, uma outra parada obrigatória na cidade de Genebra é o museu da Patek Philippe.
Quando fui a esse local pensei que se tratava exclusivamente de um acervo com as relíquias da marca, no entanto estava enganado.
Sempre que uma pessoa chega, a equipe da recepção diz que o local deve ser visto do terceiro andar até o primeiro.
As peças do primeiro e segundo andar trazem o começo da história relojoeira mundial, com peças a partir do século XVI.
Muitas delas traziam retratos de nobres e reis, outras foram feitas a pedido das grandes cortes europeias.
Também estão expostos autômatos, robôs mecânicos que fazem funções como se mexer e até fazer barulhos de maneira completamente mecânica.

Os pássaros dentro da gaiola são mecanismos do século XIX que se mexem e até cantam de maneira completamente autônoma.
Ao longo de todo o museu é possível acompanhar as explicações e o contexto em que essas obras de arte e engenharia foram construídas.
Por fim, o primeiro andar é reservado para demonstrar a evolução da Patek ao longo de toda a sua história.
Como sou um apaixonado pela história, passei boa parte da minha viagem nos museus de Genebra e na parte velha da cidade.
No entanto, meu tempo na Suíça não se dedicou apenas à parte histórica. Um dos locais que tive o prazer de visitar foi o CERN, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear.
O local é conhecido por abrigar um dos maiores aceleradores de partículas do mundo, uma máquina criada para testar hipóteses científicas.
Existe lá um museu que explica mais sobre o funcionamento do acelerador e qual sua função.
Além disso há também um museu interativo onde é possível aprender mais sobre física e vê-lá aplicada em alguns pequenos experimentos práticos.
Como fui para Genebra durante a primavera, peguei um clima ameno, com dias ensolarados e temperaturas médias.
Apesar de ser muito agradável, não conseguia aceitar a ideia de visitar a Suíça e não ver neve em nenhum momento.
Por isso, reservei um dia para visitar a cidade francesa de Chamonix, que fica a aproximadamente uma hora de distância.
A primeira parada que fiz foi no Mer de Glace, uma galeira escavada no Mont Blanc, a montanha que deu nome à empresa de canetas.
As paredes de gelo escavado na montanha guardam uma série de esculturas e desenhos escavados em seus arredores.
Após explorar a geleira, voltei para o solo e peguei um teleférico até o alto da Aiguille du Midi.
A mais de 3.842 metros acima do nível do mar, é possível ver um espetáculo na montanha, cercada de outros picos.
Um dos lugares mais icônicos é o Cubo, uma caixa de acrílico com chão transparente, na qual você consegue olhar para todas as direções.

Após explorar o topo, fiz uma parada em um ponto que trocamos de teleférico, pouco abaixo, e consegui caminhar pela neve.
De volta ao chão, retornei para Genebra de ônibus e aproveitei meu último dia para usar o Chocopass.
O programa dá um código e barras, que é escaneado por lojas de chocolate parceiras e garante algumas amostras grátis.
No dia seguinte, fiz minhas malas e retornei para o Brasil apaixonado pela cidade de Genebra e sua história.