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Descobrimento do Brasil: conheça os 3 principais documentos para compreender o período

Cartas e relatos escritos no século XVI revelam como os portugueses descreveram a nova terra.

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Redação Brasil Paralelo
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Padrão dos Descobrimentos em Lisboa. Foto: Produção Brasil Paralelo.
Fonte da imagem: Padrão dos Descobrimentos em Lisboa. Foto: Produção Brasil Paralelo.

A chegada dos portugueses no Brasil é um dos temas históricos mais polêmicos. O próprio termo descobrimento é criticado por muitos, que preferem usar invasão, achamento ou conquista. 

Independente de qual seja o seu posicionamento, é importante estudar o período antes de emitir uma opinião. E além de bons documentários e livros de historiadores, voltar aos documentos da época pode ser um passo essencial nesse processo. 

Três textos, em especial, formam a base para entender aquele episódio: 

  • A Carta de Pero Vaz de Caminha;

  • o relato técnico de Mestre João;

  • a Relação do Piloto Anônimo. 

Juntos, eles oferecem três perspectivas distintas sobre o mesmo acontecimento. É importante dizer que não há um relato do primeiro contato na perspectiva dos indígenas, visto que, naquela época, eles não possuíam um sistema de escrita que pudesse deixar registros da sua visão. Essa é uma relevante lacuna para a compreensão do período.

A carta de Pero Vaz de Caminha: o primeiro retrato do Brasil

O documento mais importante sobre o descobrimento do Brasil é A Carta escrita por Pero Vaz de Caminha.

Redigida em 1º de maio de 1500 e enviada ao rei Dom Manuel I, ela funciona como um relato oficial e também como uma narrativa detalhada do primeiro contato entre portugueses e indígenas.

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Caminha começa descrevendo a viagem

A saída de Lisboa, a travessia pelo Atlântico e o desaparecimento de uma das naus. Em seguida, registra o momento decisivo: o avistamento do Monte Pascoal e a chegada à terra que ele chamou de “Vera Cruz”.

O centro da carta está no encontro

O escrivão descreve os indígenas: corpos nus, arcos e flechas, ausência de sinais claros de autoridade. Há troca de presentes, gestos de aproximação e uma convivência inicial pacífica.

Também é Caminha quem registra a primeira missa celebrada no território, conduzida por Frei Henrique de Coimbra, um marco simbólico da presença portuguesa.

A impressão que ficou da nova terra

Caminha afirma que não foram encontradas riquezas imediatas. Ainda assim, conclui que o maior valor daquele território seria a possibilidade de converter seus habitantes ao cristianismo.

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Essa leitura ajuda a entender como Portugal enxergava o Brasil naquele momento: não como um centro de exploração imediata, mas como um espaço de expansão cultural e religiosa.

Ao mesmo tempo, termos como “achamento”, usados pelo próprio autor, alimentam até hoje o debate sobre se a chegada foi acidental ou parte de uma estratégia deliberada.

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A Relação do Piloto Anônimo: o primeiro relato difundido na Europa

A chamada Relação do Piloto Anônimo ocupa um lugar singular entre os documentos do descobrimento. 

Ao contrário das cartas de Caminha e de Mestre João, que permaneceram restritas por séculos, esse relato foi publicado poucos anos depois da viagem e circulou amplamente pela Europa, tornando-se uma das primeiras fontes a moldar a imagem do Brasil no exterior.

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A autoria do texto permanece incerta 

Embora tradicionalmente atribuído a um “piloto” da expedição, essa identificação foi feita posteriormente e alguns estudos indicam que o autor pode ter sido João de Sá, escrivão-mor da armada. 

Independentemente da autoria, o documento apresenta uma descrição mais concisa do território, confirmando aspectos já relatados por Caminha, como a fertilidade da terra, o clima favorável e o contato inicial pacífico com os indígenas.

Sobre os indígenas

O texto também inclui observações sobre os habitantes locais, com descrições físicas e comportamentais, ainda que de forma menos detalhada. 

Não há o mesmo esforço narrativo ou interpretativo presente na carta de Caminha, mas sim um relato mais direto, voltado à informação.

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Sua principal relevância histórica está na difusão 

Publicado em 1507 na coletânea Paesi novamente retrovati, o documento foi rapidamente traduzido para diversas línguas, como latim, francês, alemão e holandês. 

Essa circulação fez com que a Relação do Piloto Anônimo se tornasse, na prática, o primeiro texto a apresentar o Brasil ao público europeu, influenciando a percepção inicial sobre a nova terra.

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A carta de Mestre João: o registro técnico do descobrimento

O documento escrito por Mestre João tem natureza essencialmente técnica. Redigida em castelhano, sua carta não se preocupa com os indígenas, nem com a paisagem ou os primeiros contatos, mas sim com um objetivo específico: determinar a posição geográfica do território recém-encontrado.

No dia 27 de abril de 1500, Mestre João utilizou um astrolábio para medir a altura do Sol ao meio-dia. A partir desse cálculo, estimou que a nova terra se encontrava a cerca de 17 graus ao sul da linha do Equador. 

Esse tipo de medição era fundamental para a navegação da época, pois permitia inserir o território nas cartas náuticas e orientar futuras expedições.

O registro tinha implicações políticas diretas

A localização exata do território era necessária para definir se a terra estava dentro dos limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas, o que determinaria sua posse legal. 

Nesse sentido, a carta não é apenas um documento científico, mas também um instrumento de legitimação territorial.

Um dos trechos mais relevantes do texto ocorre quando Mestre João sugere ao rei que consulte um mapa-múndi pertencente a Pero Vaz Bisagudo, afirmando que nele poderia haver indicação daquela mesma terra. 

Essa observação levanta uma questão historiográfica importante: a possibilidade de que a região já fosse conhecida por navegadores europeus antes da chegada oficial da frota de Cabral.

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Um mergulho nas origens do Brasil

Se você quer entender melhor o contexto por trás do descobrimento e da formação do Brasil, vale a pena assistir à série Brasil: A Última Cruzada.

O documentário mostra o que veio antes da chegada de Cabral, como a formação de Portugal, as guerras na Península Ibérica e o papel da religião nas navegações, e o que aconteceu depois, já no processo de colonização, no Império e na República.

O descobrimento é apresentado como parte de um processo histórico mais longo, que ajuda a explicar como o Brasil foi sendo formado ao longo dos séculos.