Mesmo apoiando Lula e sendo conhecido por posicionamentos de esquerda, Kakay defende o ex-ministro de Bolsonaro.

O senador Ciro Nogueira (PP) foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na quinta fase da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
A defesa do senador afirmou que a operação causa “estranheza”, já que as provas para justificá-la foram encontradas no celular de outra pessoa.
Além disso, comparou os métodos utilizados pela Polícia Federal para o caso com a forma como lidou com a Operação Lava-Jato.
O principal advogado que está trabalhando para Ciro Nogueira é o veterano Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido pelo apelido de Kakay.
Ele é famoso por representar grandes figuras, chegando trabalhar para caciques do MDB, como Sarney e Romero Jucá.
Outro político importante que Kakay defendeu foi Fernando Collor de Mello, que foi acusado de receber propina em um esquema de corrupção na BR Distribuidora.
Conhecido por defender posições de esquerda e ser um apoiador histórico de Lula, Kakay é parte do grupo Prerrogativas.
O coletivo é formado por advogados para “compartilhar ideias e opiniões com uma visão progressista sobre direito e sociedade".
Apesar de ter uma relação muito próxima com o PT, Kakay divulgou uma nota criticando o governo Lula em agosto do ano passado.
“Mas o Lula do 3º mandato, por circunstâncias diversas, políticas e principalmente pessoais, é outro. Não faz política. Está isolado. Capturado. Não tem ao seu lado pessoas com capacidade de falar o que ele teria que ouvir. Não recebe mais os velhos amigos políticos e perdeu o que tinha de melhor: sua inigualável capacidade de seduzir, de ouvir, de olhar a cena política”, escreveu na ocasião.
Ao longo do posicionamento, o jurista diz que o maior legado de Lula foi derrotar Bolsonaro, que é chamado de fascista em vários momentos.
Vale destacar que Ciro Nogueira foi ministro-chefe da Casa Civil do ex-presidente entre agosto de 2021 e dezembro de 2022.
Mesmo após o fim do governo, ele continuou sendo considerado um importante aliado de Bolsonaro.
Uma das principais acusações contra o senador envolve uma proposta para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de R$250 mil para R$1 milhão.
De acordo com os oficiais, essa proposta foi construída por funcionários do Banco Master.
Nenhuma alteração teria sido feita por Ciro, que reproduziu “de forma integral” o que o Banco havia encaminhado
Em uma mensagem atribuída a Vorcaro, o banqueiro chegou a dizer que o projeto “saiu exatamente como mandei”.
Segundo os agentes envolvidos, os autores do projeto chegaram a dizer que a mudança poderia “sextuplicar” a atuação do master e causar uma “hecatombe” no sistema financeiro.
O documento também aborda o recebimento de pagamentos mensais e parcerias empresariais entre o senador e Vorcaro:
"No plano patrimonial, aponta-se a percepção de vantagens reiteradas, materializadas por pagamentos mensais, aquisição societária com expressivo deságio, custeio de despesas pessoais e fruição de bens de elevado valor, além de indícios de recebimento de numerário em espécie".
As investigações apontam para uma mesada estimada em R$500 mil paga pelo Master a Ciro Nogueira.
A defesa do parlamentar afirmou ao portal Metrópoles que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
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“A maior fraude bancária na história do Brasil”, foi assim que Fernando Haddad classificou o caso do Banco Master.
Agora, policiais e jornalistas estão revelando que o Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos com alguns dos nomes mais poderosos do Brasil.
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