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Policiais corruptos usaram telefone no nome de mortos para ajudar criminosos em operação contra refinaria fantasma

Governador do Rio de janeiro, Cláudio Castro, está entre os alvos da operação

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Fonte da imagem: O Globo

A Polícia Federal identificou que dois agentes estavam usando telefones registrados no nome de pessoas mortas para se comunicar com investigados da Operação Sem Refino.

A estratégia de usar o nome de mortos foi utilizada para tentar dificultar o trabalho de identificação.

No entanto, um dos oficiais era um escrivão que foi descoberto através do rastreamento do IP da rede interna da PF.

Ele acessou a conversa de dentro da delegacia, o que fez com que seu login fosse identificado no registro.

Outro escrivão aparece no mesmo núcleo de contatos, o que reforça a hipótese de tentáculos da organização na segurança pública.

Policial civil também foi detido por vazamento

Além desses agentes, a investigação também encontrou um policial civil que teria dado informações privilegiadas a investigados.

Os agentes acreditam que ele comprometeu a coleta de provas e comprometido a investigação.
Ele teve contato com um lobista que representava a organização. Em sua casa foram apreendidos R$500 mil.

Governador está entre os investigados 

Na manhã desta sexta-feira (15), a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

Ele foi um dos alvos de uma operação que investiga um escândalo na refinaria de Manguinhos, a Refit.

Segundo os agentes, o local estaria sendo utilizado para fraude fiscal e importação irregular de combustíveis.

As investigações apuram que o local pode ser uma espécie de “refinaria fantasma”, simulando o refino e comprando combustíveis prontos para evitar impostos.

A Operação Sem Refino investiga um grupo financeiro que seria responsável por crimes como:

  • ocultação patrimonial;

  • dissimulação de bens;

  • evasão de recursos para o exterior

Empresário com nome na lista vermelha da Interpol também é investigado

Cláudio Castro não foi o único alvo, ao todo,17 mandatos foram cumpridos pelas autoridades apenas nesta manhã.

Os agentes ainda procuram o empresário Ricardo Magro, dono da empresa Refit que é considerado um dos maiores sonegadores do país.

Seu nome agora está na lista vermelha da Interpol, o que significa que autoridades estrangeiras serão alertadas caso ele fuja do país.

A investigação contra Cláudio Castro é mais um capítulo na história de corrupção acerca do governo do Rio de Janeiro.

Cinco ex-governadores do estado já foram presos e os escândalos não se limitam ao executivo.

Nas últimas semanas, diversos deputados estaduais e vereadores têm sido detidos pela polícia, muitos deles por relação com o crime organizado.

As facções se espalham para além da infiltração no poder público e controlam regiões inteiras, colocando o estado em uma verdadeira guerra.

A Brasil Paralelo investigou essa situação com o documentário Rio de janeiro: Paraíso em Chamas. Assista ao trailer completo abaixo:

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