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Após desmantelar as gangues, Bukele agora mira nos importadores de alimentos.

O presidente de El Salvador declarou que vai aplicar os mesmos métodos que utilizou contra as gangues para combater o aumento nos preços de alimentos

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Redação Brasil Paralelo
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Bukele durante o pronunciamento.
Fonte da imagem: El Caribe

Em um pronunciamento realizado no dia 8 de julho,Nayib Bukele afirmou que vai combater os importadores de alimentos acusados de "subir os preços" em níveis anormais.

Ao longo de sua fala, o chefe de Estado “ameaçou” os comerciantes que supostamente estariam aumentando os preços de modo semelhantes ao que fez com os membros de gangues que há dois anos dominavam o país: 

"Um chamado como fizemos às gangues no início de 2019. Dissemos: parem de matar ou não sei o que vai acontecer depois. Pois bem, vou dar uma mensagem aos importadores, comerciantes, atacadistas e distribuidores de alimentos: parem de abusar do povo salvadorenho ou não reclamem depois, porque todos serão fichados. Vocês sabem os crimes que cometeram."

Nayib Bukele reconhece que possam ocorrer aumentos de preços, porém o presidente afirma que apenas tolerará o que for considerado justo pelas tendências de mercado.

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Bukele no dia da declaração - EDH/ CAPRES/El Salvador.com

O salvadorenho também intimou os mercados a reduzirem os preços de alimentos no período de um dia:

"Parem de abusar. Eu espero preços mais baixos amanhã ou vocês vão ter problemas, certo?"

O cientista político e comentarista do programa Cartas na Mesa, Adriano Gianturco, criticou o que interpretou como controle de preços, mas deu destaque para a postura autoritária do presidente:

"É o enésimo caudilho autoritário da América Latina, porque essa aí não é uma atitude de presidente. Ele ameaçou: 'Ah, os crimes que vocês fizeram', se fizeram algum crime, que denuncie e que sejam investigados pela justiça. 'Vocês vão ver que não era uma brincadeira como era no passado etc. Vocês vão ver'. Ameaças sem falar exatamente o que vai fazer. Então, é desrespeito total à lei, ao estado de direito. Isso é muito grave."

Após o pronunciamento, o governo do país latino-americano emitiu pedidos de informação para as seis maiores redes de supermercados nacionais. 

Os estabelecimentos terão 10 dias para apresentar a justificativa do aumento de preços em 68 produtos.

O governo também abriu os mercados do Ministério da Agricultura para que produtores e importadores possam negociar seus produtos sem a intermediação dos grandes supermercados.