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Governo Lula retalia decisão dos EUA sobre Ramagem e cancela credencial de agente americano

Os Estados Unidos expulsaram o delegado brasileiro que atuava na Flórida após detenção de Alexandre Ramagem, ex-Abin.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
O diretor geral da PF, Andrei Rodrigues, durante entrevista
Fonte da imagem: José Cruz/Agência Brasil

"Faço isso com muito pesar porque não gostaria que nada disso estivesse acontecendo."

A frase é do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, ao anunciar nesta quarta-feira (22) que o Brasil retirou as credenciais de um agente americano que atuava em cooperação com a PF no país.

A medida é uma resposta direta à decisão dos Estados Unidos de expulsar o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho da Flórida, na semana passada.

O episódio tem origem na detenção temporária do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE, o serviço de imigração americano.

Washington alegou tentativa de manipulação

Após a operação, o governo dos EUA iniciou apurações internas para entender o que motivou a prisão.

Na segunda-feira (20), Washington solicitou que Carvalho deixasse o país, classificando sua atuação como uma tentativa de "manipular" o sistema de imigração americano para contornar pedidos formais de extradição.

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para estender a caça às bruxas política ao território dos Estados Unidos", dizia a nota do Departamento de Estado publicada nas redes sociais.

Rodrigues rebateu a acusação

"Não é possível alguém imaginar, que não seja nessa vilania de rede social, que um policial federal estaria nos Estados Unidos para enganar autoridades norte-americanas", afirmou à GloboNews.

A medida brasileira atinge apenas um servidor e não implica a expulsão do cidadão americano do país.

O agente perde o acesso às unidades da PF e às bases de dados fornecidas pelas autoridades brasileiras.

O delegado brasileiro já está de volta ao Brasil

Para seu lugar deve assumir a delegada Renata Alves Torres, que atuava em Minas Gerais. O caso segue em tratativas diplomáticas conduzidas pelo Itamaraty.

Na terça-feira (21), durante viagem a Portugal, o presidente Lula já havia sinalizado que o Brasil poderia adotar o princípio da reciprocidade em relação a oficiais americanos operando no país.

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