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Cadastro Nacional de pedófilos segue sem sair do papel após quase um ano

Sistema mostraria criminosos sexuais condenados, mas governo e Conselho Nacional de Justiça não avançaram na implantação.

Por
Redação Brasil Paralelo
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Presença de pedófilos na Internet
Fonte da imagem: Assembléia legislativa de Sergipe

Quem já foi condenado por crimes sexuais deveria ter o nome e o CPF disponíveis para consulta pública. A lei que cria o Cadastro Nacional de Pedófilos foi sancionada há quase um ano, mas a medida ainda não foi colocada em prática.

Aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Lula, a proposta cria um cadastro de pessoas condenadas em primeira instância. O objetivo é reunir informações de criminosos por crimes sexuais, como estupro e abuso de vulnerável.

Ela também prevê o monitoramento desses condenados por meio de dispositivo eletrônico.

O Ministério da Justiça afirma que a responsabilidade de operacionalizar o sistema é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já o CNJ não se manifestou sobre o tema.

O Ministério da Justiça afirma que a responsabilidade de implantar o sistema é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão, até agora, não se manifestou.

O que prevê a Lei 15.035/2024:

  • Criar um cadastro com dados de condenados por crimes contra a dignidade sexual.
  • Permitir consulta pública, salvo decisão judicial que determine sigilo.
  • Se o réu for absolvido em recurso, as informações voltarão a ficar em sigilo.
  • . Criar o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais, desenvolvido a partir dos dados do Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Crime de Estupro (Lei 14.069/2020).

Como o cadastro poderá ser usado

O acesso será aberto e pode ajudar em diferentes situações, como:

  • Pais e responsáveis: verificar se alguém do convívio ou das redes sociais tem histórico de crimes sexuais.
  • Escolas e creches: consultar antecedentes de professores, funcionários e prestadores de serviço.
  • Clubes, ONGs e igrejas: analisar voluntários ou colaboradores que atuam com crianças.
  • Empregadores em geral: checar antecedentes de candidatos para funções que exigem confiança e contato com o público.
  • Autoridades policiais e judiciais: monitorar deslocamentos de condenados e prevenir reincidência.

Para a advogada criminalista Elisângela Salomon Carreiro, o cadastro pode beneficiar famílias que buscam profissionais para cuidar dos filhos.

“Nas famílias, quando se vai contratar uma babá ou algum empregado doméstico, é possível fazer essa consulta para impedir que a criança fique sob os cuidados dessas pessoas. O mesmo vale para escolas e empregadores em diversos ramos de atividade. Assim, é possível evitar que condenados tenham contato com crianças, especialmente em áreas em que elas estão diretamente envolvidas.”

O assunto voltou à tona após a denúncia de Felca, que expôs uma rede de exploração e adultização infantil. Assista agora no canal da Brasil Paralelo e entenda, em 15 minutos, o que motivou o influenciador a falar sobre o tema. 

Críticas à demora na implementação da lei

Parlamentares e especialistas cobram a implantação imediata. O deputado General Girão (PL-RN) afirma que a falta de ação é “descaso e negligência” e que o sistema é essencial para impedir que criminosos sexuais continuem atuando em diferentes regiões.

Segundo ele, sem um banco de dados unificado, abusadores podem se deslocar pelo país sem serem identificados.

A senadora Margareth Buzetti (PSD-MT), autora da lei, também critica a demora:

“Fizemos o mais difícil, que foi aprovar a obrigatoriedade do cadastro. Mas até agora nada foi feito. Uma criança violentada hoje pode ser vítima novamente amanhã”.

Estudos apontam que mais da metade dos condenados por crimes sexuais voltam a praticar abusos no primeiro ano após sair da prisão.

O cadastro foi criado justamente para ampliar o controle do Estado e a proteção de crianças e adolescentes, mas segue parado entre o Executivo e o Judiciário.

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