O autor do crime foi seu ex-namorado, Lindemberg Alves, condenado a mais de 98 anos de prisão.

Há 17 anos, o Brasil assistia, ao vivo, a um sequestro que durou mais de 100 horas e terminou com a morte de uma adolescente de 15 anos.
O caso Eloá se tornou um dos crimes mais conhecidos no país em sua época e voltou a chamar atenção após o lançamento do documentário Caso Eloá: Refém ao Vivo.
Em outubro de 2008, Lindemberg Alves invadiu o apartamento da ex-namorada de 15 anos, Eloá Pimentel.
A jovem estava fazendo um trabalho da escola com três amigos quando foi feita refém.
Dois colegas foram liberados, mas Eloá e Nayara Rodrigues da Silva permaneceram sob o poder do sequestrador.
No dia seguinte, Nayara foi liberada pelo criminosos. Ela afirmou que Eloá estava sendo agredida no cativeiro.
Nayara foi chamada para ajudar os negociadores e conversou por celular com Lindemberg.
Ele disse que libertaria Eloá, mas para isso acontecer, a adolescente deveria subir as escadas e os três desceram juntos.
Quando chegou à porta, a adolescente foi puxada para dentro do apartamento, de onde não saiu mais.
O coronel Eduardo Félix, que comandava a operação, afirmou que os agentes evitaram uma abordagem mais agressiva pela idade dos envolvidos:
“Por se tratar de um jovem, com uma decepção amorosa, a nossa opção era esgotar todos meios de negociação e tentar cansá-lo".
Após dias de negociação, Lindemberg disparou contra as reféns. Nayara foi atingida no rosto e sobreviveu. Eloá, baleada na cabeça e na virilha, não resistiu.
Nayara Rodrigues da Silva passou por cirurgia e enfrentou uma longa recuperação física e psicológica.
Em 2018, a Justiça reconheceu que houve erro na condução de sua participação nas negociações e condenou o Estado de São Paulo a indenizá-la em R$150 mil.
Discreta, Nayara evita aparições públicas e optou por seguir uma vida reservada. Hoje, é formada em engenharia e não costuma comentar o caso.
Já Lindemberg Alves segue preso na Penitenciária de Tremembé II. Condenado inicialmente a 98 anos e 10 meses de prisão, teve a pena reduzida para 39 anos em 2013.
Em 2025, ganhou nova redução, dessa vez por dias de trabalho e cursos realizados na prisão, entre eles um de empreendedorismo.
Não há registros de declarações recentes. A rotina de Lindemberg permanece, como a pena, sob sigilo e regulação do sistema penal.
O caso também levou os holofotes para o passado criminosos de Everaldo Pimentel, pai de Eloá.
Foragido da Justiça por mais de 15 anos, ele era acusado de homicídio e envolvimento com um grupo de extermínio chamado Gangue Fardada em Alagoas.
Everaldo foi preso em 2009, usando o nome falso de Aldo José da Silva, a busca aconteceu principalmente por causa da repercussão do caso Eloá.
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