Cartéis tentavam obrigar a população local a entrar para o crime organizado.

Ao longo das últimas décadas, os cartéis de drogas passaram a controlar grandes regiões do México, oprimindo a população com suas regras e códigos de conduta.
Diante da incapacidade do Estado de resolver o problema, os cidadãos do país resolveram se armar para lidar com a situação.
Conhecidos como “autodefesas”, essas organizações surgiram na última década e operam em locais onde a presença das forças de segurança é quase inexistente.
Muitos utilizam armamento de nível militar, frequentemente contrabandeado dos Estados Unidos.
O líder de um desses grupos, que atua na região de Guerrero, Javier Hernandez, contou para a AP que a organização foi criada em meados de 2020.
Na época, o cartel La Nueva Familia Michoacana tentou assumir o controle de comunidades isoladas nas montanhas.
Segundo moradores, o grupo criminoso passou a explorar a região e pressionar os habitantes a colaborarem.
Sem apoio efetivo do Exército ou da polícia, os moradores decidiram reagir por conta própria.
O conflito se intensificou e trocas de tiros à luz do dia se transformaram em algo corriqueiro.
Famílias inteiras fugiram a pé e comunidades com cerca de 1.600 pessoas foram reduzidas a apenas 400 habitantes.
Anos depois, a tensão permanece e os confrontos recomeçaram quando o cartel voltou a avançar sobre o território.
A organização instalou inclusive laboratórios de drogas e está utilizando drones para monitorar a região.
Apesar de arriscar sua vida, hernandez diz que prefere lutar a apenas aceitar o domínio dos criminosos:
“Não queremos fazer parte das fileiras deles e também não queremos ceder o território, não queremos viver sob escravidão de nenhum cartel.”
Apesar de não ter perdido o controle de forma tão intensa como aconteceu no México, o Estado brasileiro tem enfrentado dificuldades para combater o crime organizado.
Um dos casos mais emblemáticos em que isso ocorre é no Rio de Janeiro, onde facções controlam territórios e lutam entre si para expandir seus domínios.
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