Ciência5 min de leitura

Professora argentina é acusada de furtar vírus de laboratório da Unicamp

Sua defesa alega que não houve materialidade e que ela utilizava o laboratório por falta de estrutura. Ela recebeu liberdade provisória.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Professora argentina que furtou vírus de laboratório da Unicamp está em liberdade provisória
Fonte da imagem: Estadão

A Polícia Federal prendeu uma professora argentina por furtar material do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada da Unicamp.

A prisão ocorreu na segunda-feira, 23 de março, após semanas de investigação iniciada pela própria universidade.

O primeiro sinal de alerta surgiu no dia 13 de fevereiro, quando os responsáveis pelo laboratório notaram o desaparecimento de materiais biológicos. A Unicamp imediatamente acionou a Polícia Federal.

A investigação avançou até os agentes localizarem o material dentro de laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde a professora atuava.

No mesmo dia, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão. Os laboratórios chegaram a ser interditados temporariamente e ela foi presa em flagrante.

A Justiça concedeu liberdade provisória para ela após a audiência de custódia que aconteceu na tarde de ontem (24).

O que se sabe até agora sobre o material levado?

As autoridades não divulgaram oficialmente o que foi furtado, no entanto, uma decisão da Justiça Federal indica que se trata de um vírus.

O laboratório de origem opera com níveis 2 e 3 de biossegurança, classificações que envolvem desde risco moderado até alto, com potencial de impacto na comunidade.

Após a recuperação, o material foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise técnica, com apoio da Anvisa.

A Polícia Federal informou que a professora Soledad Palameta Miller ainda pode responder por:

  • furto qualificado;

  • fraude processual;

  • transporte irregular de organismo geneticamente modificado.

Além disso, a Justiça mencionou a possibilidade de enquadrá-la por exposição de risco à saúde.

As investigações continuam e ainda não há confirmação de que haja outros envolvidos ou detalhes sobre como o material foi retirado do laboratório.

Em nota, a Unicamp afirmou que colaborou desde o início com as autoridades e reforçou que os detalhes do caso permanecem sob sigilo para não comprometer as apurações.

A defesa da professora afirma que não há materialidade de furto e alega que ela utilizava o  laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria.