Ex-coordenador diz não ter envolvimento em esquema que desviou bilhões de reais do INSS.

A CPMI do INSS determinou a prisão em flagrante de Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS.
A decisão foi tomada após o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, acusar o ex-servidor de mentir em depoimento oficial.
Durante a sessão, Jucimar alegou não ter sido convocado corretamente e forneceu datas diferentes sobre autorizações de acordos de cooperação técnica (ACTs).
Ao final da oitiva, o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou a prisão:
“Senhor Jucimar, por ter dito aqui que não foi convocado corretamente e por não ter dado as datas corretas que o relator lhe perguntou sobre os ACTs (acordos de cooperação técnicas), o senhor está preso por calar a verdade”.
A ordem foi cumprida imediatamente pela Polícia Legislativa, que lavrou o flagrante nas dependências do Senado. Após o registro, Jucimar foi liberado com o pagamento de fiança.
Jucimar foi responsável por coordenar o setor de pagamentos e benefícios do INSS até ser afastado do cargo, em abril, após o início da operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
A investigação apura um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
Segundo a CPI, Jucimar autorizou o processamento de cobranças associativas e consignadas em massa, ignorando pareceres contrários do Ministério Público.
Ele também é apontado por assinar uma nota técnica que liberou o desbloqueio de descontos a pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), entidade investigada por participação no esquema.
Em seu depoimento, Jucimar negou envolvimento direto nas irregularidades. Disse que atuava sob ordens superiores e que não tinha poder decisório.
Afirmou ainda que não era ordenador de despesas e que “nunca autorizou pagamento de entidade”.
No entanto, o presidente da comissão afirmou que há provas de que Jucimar já assinava pareceres técnicos desde 2021, enquanto ele falava que entrou na função apenas dois anos depois.
A comissão planeja pedir prorrogação dos trabalhos de investigação sobre o escândalo até maio de 2026.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.