Apesar de pertencer à família do ditador, Sandro Castro criticou o sistema e o presidente da ilha.

Há décadas, Cuba é um dos exemplos mais icônicos de uma nação socialista, uma das últimas que sobreviveu após o colapso da URSS em 1991.
Agora, a Ilha passa por momentos de crise, com apagões, escassez de alimentos e produtos básicos, além de protestos contra a ditadura.
Em meio a esse cenário, o neto de Fidel Castro, Sandro Castro, deu uma entrevista para a CNN e disse que “acho que a maioria dos cubanos quer ser capitalista, não comunista”.
“Há muitas pessoas em Cuba que pensam de forma capitalista. Há muitas pessoas aqui que querem praticar o capitalismo com soberania”, falou.
Com mais de 120 mil seguidores no Instagram, Sandro publica vídeos humorísticos que ironizam a crise na ilha.
Ele vive no isolado bairro de Kohly, reservado a figuras de alto escalão do regime, incluindo oficiais militares e dos serviços secretos cubanos.
Além de sua conta nas redes sociais, Sandro é dono de uma boate avaliada em R$263 mil, localizada em uma das principais ruas de Havana.
Apesar disso, ele afirma que não se beneficia da posição importante de sua família e que construiu sua riqueza:
"O pouco que tenho deve-se ao meu esforço, ao meu sacrifício… O meu nome é o meu nome. Tenho orgulho no meu nome, logicamente. Mas não vejo essa ajuda de que falas. Sou apenas mais um cidadão”.
Durante a entrevista para a CNN, Sandro disse que pensa em criar sua própria marca de cerveja e comprar outras boates na ilha.
No entanto, ele disse que o regime que seu avô implementou no país cria barreiras para isso:
"Temos de abrir o modelo económico, eliminar a burocracia… Sou um revolucionário, mas um revolucionário de ideias, de progresso, de mudança".
Sandro também criticou o governo do atual presidente da iha, Miguel Díaz-Canel, que assumiu em 2018:
"Não diria que ele está a fazer um bom trabalho. Para mim, ele não está a fazer um bom trabalho".
Canel é o primeiro homem a governar que não vem da família Castro desde o sucesso da Revolução Cubana.
Perguntado se seu avô tornou a ilha um lugar melhor, ele apenas disse que "nasci depois de 1959, por isso não posso dizer".
Fidel Castro derrubou o ditador Fulgêncio Batista prometendo que o país se tornaria uma democracia, no entanto ele estabeleceu uma ditadura socialista brutal.
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