Apontado como braço direito de Daniel Vorcaro, ele é acusado de coordenar agressões a jornalistas e acessos ilegais a sistemas sigilosos do FBI e da Interpol.

Enquanto as manchetes focam na engenharia financeira do Banco Master, um nome surge nos autos da nova fase da investigação sobre a instituição.
Visto como peça-chave para a execução de ordens que vão além do mundo dos negócios, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão foi identificado pela Polícia Federal sob o codinome 'Sicário'.
Ele foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira. Horas depois, Mourão tentou o suicídio enquanto estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais.
Ele foi socorrido por agentes e encaminhado ao hospital pelo SAMU após passar por manobras de reanimação.
Mourão é apontado como o líder de uma milícia privada, batizada de 'A Turma', que servia aos interesses pessoais e empresariais do banqueiro Daniel Vorcaro."
Mourão já possuía um histórico criminal em Minas Gerais antes de se tornar o homem de confiança de Daniel Vorcaro.
Réu desde 2021 por lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular, ele é investigado por gerenciar uma pirâmide financeira que movimentou cerca de R$28 milhões.
Relatórios de inteligência da Polícia Militar mineira apontam que, anteriormente, Mourão também atuava como agiota.
Na estrutura do Banco Master, a Polícia Federal identifica Mourão como o líder de um grupo chamado "A Turma".
Sua função era gerenciar missões de monitoramento e intimidação contra pessoas consideradas entraves aos interesses de Vorcaro. Para chefiar essa operação, ele recebia um pagamento mensal de cerca de R$1 milhão.
As investigações revelam que a atuação do grupo envolvia o acesso ilegal a sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e de agências internacionais como o FBI e a Interpol para coletar dados de adversários.
Este é mais um desdobramento envolvendo o Banco Master, cujos detalhes se perdem em meio a tantas manchetes. No dia 23/02, às 20h, a Brasil Paralelo explica tudo o que está por trás desse cenário em sua nova produção: Raio-X Banco Master. Clique aqui e saiba mais.
Em um dos episódios relatados pela PF, Vorcaro e Mourão discutiram a simulação de um assalto para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, com o objetivo de "quebrar os seus dentes" e silenciar críticas ao banco.
Confira a transcrição das mensagens interceptadas:
“MOURÃO: Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? hrs hein. Lanço uma nova sua? Positiva.
DV: Sim.
MOURÃO: Cara es*****.
DV: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.
MOURÃO: Vou fazer isto.
(…)
DV: Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
A estrutura de Mourão também era acionada para conflitos domésticos, como ordens para agredir uma empregada e intimidar funcionários do banqueiro.
A prisão preventiva de Mourão foi determinada pelo ministro André Mendonça para interromper o que chamou de "dinâmica violenta" do grupo.
Durante as buscas, a PF apreendeu uma arma na residência do investigado. Em sua defesa em processos anteriores, Mourão afirmou que seus rendimentos são fruto da venda de veículos e contestou a legalidade das quebras de sigilo bancário.
Sobre as novas acusações, a defesa ainda não se manifestou integralmente.
Este é mais um episódio envolvendo o Banco Master. Um caso de muitas camadas que acabam se perdendo em tantas manchetes que surgem a cada dia.
E para entender o que realmente aconteceu, é preciso ir além das manchetes.
A Brasil Paralelo organizou tudo isso em sua nova produção: Raio-X Banco Master, uma exibição didática e completa do que está por trás daquele que promete ser o maior escândalo financeiro da história recente do Brasil.
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