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“Eu queria agredir meu pai”: Krawk relata como o perdão mudou sua vida e a de milhares de jovens

A relação com o pai foi, durante anos, uma ferida aberta na vida do rapper Krawk.

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Redação Brasil Paralelo
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À esquerda, o dia em que Krawk perdoou o seu pai e reencontrou a irmã. À direita, Krawk durante palestra após a sua conversão.
Fonte da imagem: À esquerda, o dia em que Krawk perdoou o seu pai e reencontrou a irmã. À direita, Krawk durante palestra após a sua conversão.

A lembrança começa cedo. Muito cedo.

“Tenta imaginar a cena. Eu com 4 anos vendo meu pai maltratar minha mãe.”, disse Krawk em entrevista exclusiva à Brasil Paralelo.

A partir daí, o que se construiu não foi uma espécie de rejeição. Ainda criança, ele chegou a pensar:

“Talvez naquele momento era melhor não ter pai mesmo.”

Com o tempo, a ausência virou padrão. O pai aparecia, desaparecia e nunca criava vínculo de verdade. Quando teve a chance de reaproximação, já mais velho, Krawk não quis saber.

“Ele apareceu… e eu não quis trocar muita ideia com ele.”

Na juventude, o seu pai tentou se reaproximar e chegou a dizer que Krawk teria que virar homem e enfrentar os seus problemas. A reação do rapper ilustra um dos momentos de maior tensão dessa relação:

“Se eu te encontrar na rua, eu vou te arrebentar, mano.”, disse ele ao pai.

Ele usou a música para expressar o ódio que sentia

Já conhecido nas batalhas de rima, ele percebeu que não era o único com esse tipo de experiência  e decidiu transformar isso em rima:

“Eu falei: vou xingar meu pai nas músicas.”

Funcionou. E muito.

As músicas batiam, viralizavam e encontravam eco em milhares de pessoas.

“Eu comecei a virar voz da galera que não tinha pai.”

Mas, com o tempo, algo começou a incomodar. Ele percebeu que, no fundo, aquilo não resolvia nada.

“Era como se eu tivesse incentivando mais ódio… e não tava resolvendo problema nenhum.”

A virada não começou no encontro

A mudança veio de dentro. Durante a composição de uma música, ele sentiu:

“Parecia que tinha algo dentro de mim… falar mal do meu pai tava me fazendo mal.”

A música já estava pronta quando ele decidiu acrescentar uma última frase:

“Se por acaso você ouvir isso, pai, eu te perdoo.”

A reação veio rápido. Pessoas começaram a repetir aquilo. A mudar de postura.

“As pessoas não estavam mais querendo bater nos pais… estavam querendo perdoar.”

Mas havia um problema que ele não podia ignorar:

“Só que eu não tinha perdoado o meu ainda.”

O dia em que ele encontrou o pai

O reencontro aconteceu pouco tempo depois. Krawk descobriu que o pai vendia sanduíche e decidiu ir até o local extremamente bem vestido, pedir um lanche e mostrar o que o pai havia perdido.

“Parecia que eu ia cantar no Rock in Rio… coloquei minha melhor roupa.”

Quando chegou, fez um pedido simples:

“Eu quero um x salada.”

Para ele, aquilo carregava um significado:

“Era como se eu tivesse espancando ele… ‘olha como eu tô agora’.”

Só que a situação saiu completamente do controle.

O momento que mudou tudo

Antes que qualquer confronto acontecesse, uma menina se aproximou.

“Uma menina veio correndo, me abraçou e falou: ‘Eu conto para todo mundo que você é meu irmão’.”

Era sua irmã. Naquele momento, a lógica da situação mudou. O confronto perdeu sentido. E veio a percepção que ele resume assim:

“O perdão é uma prisão que quando você perdoa alguém, na verdade quem se liberta é você.”

Ali, ele tomou a decisão.

“Eu te perdoo, mano.”, disse Krawk ao seu pai.

Depois do perdão

Ao sair dali, a reação foi imediata:

“Eu nunca chorei tanto na minha vida.”

Pegou o seu celular e decidiu postar no Instagram para dividir aquele momento com o público:

“Eu tô chorando porque eu tô liberto.”

Quando a história deixa de ser só dele

O que começou como uma decisão pessoal passou a ter efeito em outras pessoas. Com o tempo, ele começou a ouvir relatos parecidos.

“Hoje as pessoas me param na rua e dizem: ‘eu perdoei meu pai por sua causa’.”

Uma história que se repete

A experiência de Krawk não é isolada. A ausência paterna, o ressentimento e a dificuldade de reconciliação fazem parte da realidade de muitos brasileiros, especialmente entre jovens.

Esse também é um dos temas centrais do filme Domingo sem Deus, que propõe justamente uma reflexão sobre escolhas diante desse tipo de ruptura.

Esse será o próximo lançamento da Brasil Paralelo, uma super produção que será a segunda ficção da empresa.

No dia 05 de abril, domingo de Páscoa, você poderá assistir ao filme com exclusividade na plataforma da Brasil Paralelo. Além do filme, você também está convidado para o evento de lançamento.

Como assistir ao filme Domingo sem Deus da Brasil Paralelo?

Domingo sem Deus não será exibido integralmente durante a transmissão do evento. O acesso ao filme completo ficará disponível no streaming da Brasil Paralelo, exclusivo para membros.

Onde assistir ao evento de lançamento?

O evento será transmitido gratuitamente no canal do YouTube da Brasil Paralelo. Clique no link abaixo para ser avisado do lançamento:

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