A PM de São Paulo reuniu testemunhos sobre a vida do agente para levar ao Vaticano.

Era uma tarde de chuva em São Paulo e o soldado José Barbosa de Andrade havia sido dispensado mais cedo do serviço por causa de uma troca de pelotões.
Naquele dia, um colega combinou de lhe dar uma carona até o parque D. Pedro, onde pegaria uma condução para sua casa.
Os dois passavam pelo centro da cidade quando viram uma aglomeração na beira do Rio Tamanduateí, na Avenida do Estado próximo ao Mercado Municipal.
Eles foram averiguar o que estava acontecendo e se depararam com uma idosa que se debatia nas águas.
As chuvas tinham feito a vazão do rio subir sete vezes acima do normal e engolir a catadora de papelão identificada como Salete Aparecida Rodrigues.
Mesmo sem saber nadar, Barbosa pegou uma corda fina com os vendedores ambulantes da região, a amarrou na cintura e desceu pela borda do rio até alcançar a mulher.
Ele conseguiu agarrá-la e levá-la até as mãos do outro policial que o acompanhava, mas a corda se rompeu logo em seguida e Barbosa desapareceu nas águas.
Seu corpo foi encontrado cerca de 50 horas depois, a aproximadamente 400 metros do local de onde desapareceu.
José Barbosa de Andrade nasceu em 14 de fevereiro de 1965, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.
Aos 7 anos, veio com a mãe, o pai e nove irmãos para São Paulo, onde a família viveu de favor na casa de um parente no Grajaú.
Com 8 anos, começou a trabalhar como guardador de carros e sempre entregava tudo o que ganhava para a mãe.
Inspirado por um irmão mais velho que se tornou bombeiro, ele prestou o concurso para a Polícia Militar três vezes antes de ser aprovado.
Fora do trabalho, saía à noite para distribuir sopa a moradores de rua, mesmo cansado.
Ele costumava passar por dificuldades financeiras, já que tinha o hábito de doar seu dinheiro ou emprestar para pessoas necessitadas.
Sua mãe dizia que Barbosa havia nascido para ajudar os outros e desde criança vivia de forma humilde e virtuosa.
Décadas depois de sua morte, a história de Barbosa voltou a ganhar força dentro da própria corporação.
Em 2011, a Polícia Militar de São Paulo iniciou a coleta de documentos, relatos e testemunhos sobre sua vida.
O objetivo era levar o caso ao Vaticano e pedir a abertura formal do processo de beatificação.
Esse tipo de processo segue etapas bem definidas. Primeiro são reunidas provas históricas e relatos que ajudam a entender quem foi aquela pessoa e quais foram seus atos.
Esse material é analisado por bispos e também por especialistas ligados à Igreja. Caso a análise seja positiva, o caso é levado para um tribunal eclesiástico reexamina tudo.
Se a Corte aprovar o processo, o candidato começa a responder pelo título de “servo de Deus”.
Depois, o caso segue para Roma, onde uma comissão analisa todo o material com ainda mais rigor.
Se ficar comprovado que a pessoa viveu virtudes consideradas extraordinárias o Vaticano pode reconhecer a beatificação.
Na época em que o caso foi aberto, ele foi defendido pela irmã Célia Cadorin, responsável pelos processos de canonização de Madre Paulina e Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.
Ela afirma que o processo dele pode ser mais rápido pelo fato dele ter sacrificado sua vida por outra pessoa, o que o tornaria um mártir.
Entenda melhor o que realmente é um santo e conheça a trajetória de pessoas que conseguiram chegar a essa posição com a minissérie da Brasil Paralelo.
Assista ao primeiro episódio completo abaixo: