Atualidades5 min de leitura

EUA compram mineradora brasileira de terras raras e acirram disputa com a China

Serra Verde, única produtora fora da Ásia, deve responder por mais de 50% da oferta mundial fora da China até 2027.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Terras raras
Fonte da imagem: Site: eu quero investir

A China controla mais da metade da extração de terras raras no mundo e quase toda a capacidade de refinamento. Os Estados Unidos querem mudar isso e estão dando passos em direção ao objetivo.

A empresa americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil.

O negócio está avaliado em cerca de R$13,9 bilhões, combinando R$1,5 bilhão em dinheiro e a emissão de 126,9 milhões de novas ações. A conclusão está prevista para o terceiro trimestre de 2026, sujeita a aprovações regulatórias.

Mais de 50% da oferta mundial fora da China até 2027

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, no norte de Goiás e é a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer, em larga escala, os quatro elementos de terras raras magnéticas essenciais para a fabricação de ímãs.

Esses minerais são matéria-prima indispensável para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. Segundo a USA Rare Earth, a produção da mina deve representar mais de 50% de toda a oferta mundial de terras raras pesadas fora da China até 2027.

Com a aquisição, a empresa combinada passará a atuar em toda a cadeia produtiva, da mineração e processamento até a fabricação de metais e ímãs.

Executivos da Serra Verde assumirão posições estratégicas na companhia americana. Thras Moraitis, atual CEO da Serra Verde, assumirá a presidência e uma cadeira no conselho de administração.

  • Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP. 

O negócio está inserido em um movimento maior

Em janeiro, a USA Rare Earth fechou um pacote de financiamento de R$7,9 bilhões com o governo americano.

Em fevereiro, a Serra Verde anunciou que um banco estatal americano ampliou seu aporte na mineradora para R$2,8 bilhões, passando a ter direito a uma participação acionária minoritária na empresa.

A Serra Verde exporta toda sua produção para a China

A empresa já havia sinalizado, no ano passado, que estava remodelando contratos para direcionar parte da produção a clientes ocidentais.

O Brasil possui as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, mas com produção ainda incipiente.

A compra pela USA Rare Earth coloca o país no centro da disputa global por minerais.

O impasse se agravou com a disputa comercial entre Washington e Pequim. Em outubro do ano passado, a China anunciou que endureceria as regras e aumentaria o controle estatal sobre terras raras, medidas adiadas para 2026

O recado foi claro: quem controla o processamento controla o abastecimento global.

Os EUA responderam buscando alternativas. Fecharam um acordo com a Ucrânia para exploração de minerais do país, cujas reservas são avaliadas em R$2 trilhões, embora parte delas esteja em regiões controladas pela Rússia.

E voltaram os olhos para o Brasil, que possui as segundas maiores reservas de terras raras do mundo, mas com produção ainda incipiente.

É nesse contexto que a compra da Serra Verde assume dimensão geopolítica. Não se trata apenas de um negócio bilionário. É parte de uma disputa global por quem vai abastecer a indústria do século 21.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui.