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Colômbia anuncia um investimento milionário para matar os hipopótamos de Pablo Escobar

Traficante mantinha zoológico particular em sua fazenda. Após sua morte, os animais se espalharam sem controle pelo país.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Hipopotamo de Pablo Escobar
Fonte da imagem: Ministério do meio ambiente da Colômbia

Em 1980, quatro hipopótamos foram levados ilegalmente para a Colômbia. O responsável pela compra era ninguém menos que o narcotraficante Pablo Escobar.

No auge do seu poder, ele construiu um zoológico em sua fazenda. Quando Escobar foi morto em 1993, a fazenda foi abandonada. A maioria dos animais foi transferida para outros zoológicos.

Os hipopótamos ficaram para trás

Quatro décadas depois, aqueles quatro animais viraram 169. E o governo colombiano anunciou que chegou a hora de agir.

Eutanásia em 80 animais

A ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez, anunciou na última segunda-feira (13) um plano com orçamento de 7,2 bilhões de pesos colombianos, cerca de R$10 milhões, para controlar a população.

A primeira etapa prevê a eutanásia de 80 animais. Cada procedimento custará aproximadamente R$70 mil, valor que não inclui o enterro, necessário por razões de saúde pública.

A expectativa é reduzir a população em pelo menos 33 hipopótamos por ano.

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Por que viraram um problema?

Diferente da África, onde enfrentam predadores naturais e períodos de seca, na Colômbia os hipopótamos encontraram condições ideais: água abundante, comida em excesso e nenhum predador.

O resultado foi um crescimento descontrolado.

Se nada for feito, a população pode ultrapassar 500 animais até 2030 e chegar a mil em 2035.

Os impactos são preocupantes

Os animais contaminam rios com seus excrementos, promovem a proliferação de algas nocivas e ameaçam espécies nativas como o peixe-boi, a lontra e a tartaruga de rio.

Um hipopótamo pode consumir até 50 quilos de grama por dia e sua dieta inclui cerca de 200 espécies de plantas, sendo pelo menos três endêmicas. Seu peso, que pode chegar a 3,2 toneladas, compacta o solo e altera as margens dos rios.

Os riscos não são apenas ambientais. Já foram registrados ataques a pescadores, perseguições em corpos d'água e bloqueios em estradas rurais.

Um estudo publicado na revista Animals apontou que 87% dos encontros entre humanos e hipopótamos em Uganda, entre 1923 e 1994, foram fatais.

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Por que nenhum país quer os animais?

O governo colombiano tentou realocar os animais para zoológicos e santuários em oito países, incluindo Índia, México, Filipinas e África do Sul. Nenhum aceitou.

O problema é genético: como todos descendem dos mesmos quatro hipopótamos de Escobar, a diversidade genética é muito baixa, aumentando a ocorrência de defeitos congênitos. O custo do transporte também é um fator que dificulta a decisão.

A decisão não foi unânime

A senadora Andrea Padilla, ativista pelos direitos dos animais, classificou a medida como "simplista e cruel".

"Nunca apoiarei a matança de criaturas saudáveis, ainda mais quando são vítimas da irresponsabilidade e negligência do Estado", escreveu.

A manada colombiana é considerada a única população de hipopótamos selvagens fora do continente africano.

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