Traficante mantinha zoológico particular em sua fazenda. Após sua morte, os animais se espalharam sem controle pelo país.

Em 1980, quatro hipopótamos foram levados ilegalmente para a Colômbia. O responsável pela compra era ninguém menos que o narcotraficante Pablo Escobar.
No auge do seu poder, ele construiu um zoológico em sua fazenda. Quando Escobar foi morto em 1993, a fazenda foi abandonada. A maioria dos animais foi transferida para outros zoológicos.
Quatro décadas depois, aqueles quatro animais viraram 169. E o governo colombiano anunciou que chegou a hora de agir.
A ministra do Meio Ambiente, Irene Vélez, anunciou na última segunda-feira (13) um plano com orçamento de 7,2 bilhões de pesos colombianos, cerca de R$10 milhões, para controlar a população.
A primeira etapa prevê a eutanásia de 80 animais. Cada procedimento custará aproximadamente R$70 mil, valor que não inclui o enterro, necessário por razões de saúde pública.
A expectativa é reduzir a população em pelo menos 33 hipopótamos por ano.
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Diferente da África, onde enfrentam predadores naturais e períodos de seca, na Colômbia os hipopótamos encontraram condições ideais: água abundante, comida em excesso e nenhum predador.
O resultado foi um crescimento descontrolado.
Se nada for feito, a população pode ultrapassar 500 animais até 2030 e chegar a mil em 2035.
Os animais contaminam rios com seus excrementos, promovem a proliferação de algas nocivas e ameaçam espécies nativas como o peixe-boi, a lontra e a tartaruga de rio.
Um hipopótamo pode consumir até 50 quilos de grama por dia e sua dieta inclui cerca de 200 espécies de plantas, sendo pelo menos três endêmicas. Seu peso, que pode chegar a 3,2 toneladas, compacta o solo e altera as margens dos rios.
Os riscos não são apenas ambientais. Já foram registrados ataques a pescadores, perseguições em corpos d'água e bloqueios em estradas rurais.
Um estudo publicado na revista Animals apontou que 87% dos encontros entre humanos e hipopótamos em Uganda, entre 1923 e 1994, foram fatais.
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O governo colombiano tentou realocar os animais para zoológicos e santuários em oito países, incluindo Índia, México, Filipinas e África do Sul. Nenhum aceitou.
O problema é genético: como todos descendem dos mesmos quatro hipopótamos de Escobar, a diversidade genética é muito baixa, aumentando a ocorrência de defeitos congênitos. O custo do transporte também é um fator que dificulta a decisão.
A senadora Andrea Padilla, ativista pelos direitos dos animais, classificou a medida como "simplista e cruel".
"Nunca apoiarei a matança de criaturas saudáveis, ainda mais quando são vítimas da irresponsabilidade e negligência do Estado", escreveu.
A manada colombiana é considerada a única população de hipopótamos selvagens fora do continente africano.
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