Jurídico do governo diz que não há problema, já que ela não ocupa cargo público.

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, confirmou que irá participar do desfile da Acadêmicos de Niterói no próximo dia 15 de fevereiro, no sambódromo da Sapucaí.
A escola apresentará o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", narrando a trajetória do presidente desde a infância em Pernambuco até o Palácio do Planalto.
O governo diz que é uma participação legítima. A oposição acionou a PGR e o TCU para questionar o uso de dinheiro federal na promoção da imagem de Lula em ano eleitoral.
A decisão de Janja de cruzar de desfilar no carnaval foi validada pelo corpo jurídico do governo, sob o argumento de que ela não ocupa cargo público formal.
A estratégia divide opiniões até mesmo dentro do PT. Enquanto Lula exibe o samba-enredo em jantares oficiais e convida aliados para o camarote do prefeito Eduardo Paes (PSD), uma ala do PT teme “exposição excessiva”.
O receio é que o Sambódromo, ambiente aberto e imprevisível, reaja com vaias e contrarie a narrativa de popularidade que o governo busca reforçar.
Lula vai aproveitar o feriado para circular por três capitais: Recife, Salvador e Rio de Janeiro. No sábado (14), estará ao lado de João Campos (PSB), em Recife.
Depois segue para Salvador, onde participa de agenda ligada à ministra Margareth Menezes. O roteiro termina no carnaval carioca.
Na Bahia, o gesto tem peso político. Lula tenta reforçar a imagem do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que enfrenta avanço de ACM Neto (União) nas pesquisas. A passagem pelo Rio fecha o roteiro com exposição pública em um dos maiores eventos do país.
A oposição reagiu. A senadora Damares Alves e os deputados Sanderson e Capitão Alberto Neto questionam se a participação no desfile pode configurar desvio de finalidade.
O argumento é que escolas que recebem recursos públicos não deveriam exaltar autoridades em exercício, especialmente em período eleitoral.
Damares também afirma que o samba-enredo faz críticas à direita ao mencionar “mitos falsos” e anistia.
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