PF deve abrir investigação após representações de parlamentares e partidos sobre as negociações entre o senador e o banqueiro.

Questionado por jornalistas nesta quinta-feira, 14, o presidente Lula comentou pela primeira vez os áudios que expõem negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
"Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunte como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras e do emprego", disse o presidente.
A declaração aconteceu durante o anúncio da retomada da produção de fertilizantes na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras, em Camaçari, na Bahia.
No mesmo dia, Lula havia dito que "a verdade tarda, mas não falha", sem citar diretamente o caso. O PT, no entanto, publicou o trecho nas redes sociais com a legenda relacionando a fala ao episódio.
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Após receber representações de parlamentares e partidos, a Polícia Federal deve abrir investigação para apurar os acertos de pagamento entre Flávio e Vorcaro.
Uma das linhas de apuração é verificar se parte dos recursos foi desviada para um fundo sediado no Texas ligado a Eduardo Bolsonaro, e se o dinheiro foi usado para custear sua permanência nos EUA após o bloqueio de suas contas pelo STF.
A suspeita foi levantada pelo deputado Lindbergh Farias, autor de uma das representações encaminhadas à PF. Partidos como o PSOL e o Missão também pediram investigação.
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Desde que o The Intercept publicou os áudios, o caso gerou uma sequência rápida de reações no campo político.
Zema foi um dos primeiros a se manifestar, chamando o episódio de "um tapa na cara dos brasileiros de bem".
Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Fernando Holiday saíram em defesa do senador, argumentando que as gravações não configuram crime.
Flavio negou irregularidades nos valores recebidos
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio confirmou o contato com Vorcaro, mas negou irregularidades.
Segundo o senador, tratava-se de um filho buscando financiamento privado para um filme sobre o pai, sem dinheiro público envolvido. Ele ainda afirmou ainda que Vorcaro simplesmente parou de honrar as parcelas do contrato.
Mario Frias, envolvido na produção, disse que o papel de Flávio se limitou à cessão dos direitos de imagem da família e à atração de investidores.
Produtora negou ter recebido dinheiro de Vorcaro
A produtora do filme, GOUP Entertainment, divulgou nota afirmando que "não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer empresa sob o seu controle societário".
Contudo, as mensagens publicadas pelo The Intercept mostram Flávio enviando áudio a Vorcaro em setembro de 2025 dizendo que precisava receber o dinheiro ou uma negativa para buscar outro investidor.
Em outra mensagem, o senador envia um vídeo ao banqueiro com o recado: "Só está sendo possível por causa de você."
O The Intercept afirma ter provas de que parte do dinheiro foi efetivamente entregue à produção, contradizendo diretamente a nota da produtora.
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