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Jordan Peterson enfrenta universidade e não aceita passar por “reeducação ideológica”

Após recusar um curso corretivo por suas opiniões, o psicólogo canadense denuncia censura disfarçada de ética profissional.

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Redação Brasil Paralelo
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Jordan Peterson: “Olhamos para Carney e não prestamos atenção à política... e então vemos alguém que parece um banqueiro dos anos 1990, quando tudo ia bem no Canadá.”
Fonte da imagem: Jordan Peterson: “Olhamos para Carney e não prestamos atenção à política... e então vemos alguém que parece um banqueiro dos anos 1990, quando tudo ia bem no Canadá.” Foto de ATTILA KISBENEDEK/AFP via Getty Images/Arquivo

A cena poderia facilmente figurar em um romance distópico: um homem é intimado por uma instituição de prestígio a passar por uma espécie de reeducação, não por conduta profissional inadequada, mas por expressar suas opiniões em público.

Essa não é uma ficção. É o Canadá atual.

Jordan Peterson, psicólogo clínico e professor emérito da Universidade de Toronto, tornou-se um dos críticos mais contundentes da ideologia de gênero, do alarmismo climático e da cultura do politicamente correto. 

Por suas declarações nas redes sociais e entrevistas, foi condenado pelo Colégio de Psicólogos de Ontário a participar de um curso de "reciclagem em mídias sociais".

A medida, imposta sem que houvesse qualquer queixa de pacientes ou comprovação de conduta clínina inadequada, consistia em uma reeducação conduzida por um "especialista" cuja identidade deveria permanecer em sigilo. O conteúdo do curso também seria confidencial. 

“Façam o seu pior, mas não terão a vantagem da invisibilidade”

Peterson levou o caso aos tribunais canadenses, alegando violação da liberdade de expressão. Perdeu. Diante da recusa do judiciário, optou por um caminho da denúncia pública.

Em carta aberta, recusou a oferta de uma sessão virtual com um consultor estrangeiro, descrevendo o processo como uma tentativa disfarçada de impor censura sob o manto da ética. “Não serei reeducado em silêncio”. E completou: 

“Façam o seu pior, seus bastardos desprezíveis, mas não pensem que terão a vantagem da invisibilidade”.

Quando a verdade incomoda o poder

Segundo o próprio Peterson, o mais grave é o sigilo imposto ao processo. Ele denuncia que a confidencialidade protege a instituição, não o acusado: 

“Se o especialista é tão capaz, por que não permitir que todos assistam à sessão e tirem suas próprias conclusões?”.

O histórico: mais do que um desentendimento

A tensão entre Peterson e o Colégio não é recente. Desde que suas ideias ganharam repercussão internacional, o psicólogo já foi alvo de múltiplas investigações internas, principalmente após 2018, quando se tornou um crítico vocal de políticas estatais sobre gênero e diversidade. 

Em 2022, foi formalmente notificado a passar por uma uma espécie de reciclagem comportamental.

A decisão foi contestada judicialmente, mas os tribunais canadenses mantiveram a decisão da instituição. A partir daí, iniciou-se um vaivém de notificações, prazos e recuos. 

Segundo Peterson, a instituição chegou a atrasar a escolha do instrutor por vários meses, ao mesmo tempo em que endureceu exigências como a presença física nos encontros, mesmo sabendo de sua rotina de viagens.

A mais recente oferta do Colégio altera o formato inicial: prevê uma única sessão remota de duas horas, com caráter formativo e não disciplinar, conduzida por Cayton. 

No entanto, impõe que o conteúdo e os termos da conversa permaneçam sob confidencialidade. Para Peterson, isso invalida qualquer possibilidade de participação, por considerar que o sigilo beneficiaria a instituição e não o público.

O psicólogo afirma que sua recusa não se deve a um gesto de rebeldia pessoal, mas a uma convicção mais profunda: de que a transparência é indispensável quando se trata do exercício da autoridade sobre ideias e opiniões.

Jordan Peterson volta ao Brasil para evento em São Paulo

Durante três dias, o Brasil será palco de um encontro memorável. Um dos mais respeitados intelectuais da atualidade, Jordan Peterson, desembarca em São Paulo para participar de um evento exclusivo: o Gala — The Business Holy Grail.

A cerimônia acontece no prestigiado Rosewood Hotel, considerado o mais sofisticado da América Latina. O encontro reunirá líderes políticos, empresários de ponta, CEOs e formadores de opinião que estão impactando o futuro dos negócios e da tecnologia no país.

Entre os convidados principais estão Jordan Peterson e o ex-ministro Paulo Guedes. O evento está sendo realizado pelo empresário e pesquisador de negócios formado na Universidade de Oxford, Rafael Prado, e a Brasil Paralelo é responsável pela divulgação.

O Gala — The Business Holy Grail acontece nos dias 30, 31 de julho e 1º de agosto. Por se tratar de um evento exclusivo e ter uma proposta de proximidade entre os participantes, serão vagas limitadas. Clique no link abaixo e garanta o seu ingresso:

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Muito mais do que apenas assistir

Durante os três dias de imersão, os participantes do Gala — The Business Holy Grail serão muito mais do que espectadores. Eles estarão lado a lado com pessoas que estão transformando agora o mercado brasileiro. Uma oportunidade incrível para uma experiência real frente a frente com os palestrantes.

Quem é Jordan Peterson?

Jordan Peterson é um psicólogo clínico, professor universitário e um dos intelectuais mais influentes da atualidade. 

Ganhou projeção internacional ao criticar leis canadenses que obrigavam o uso de pronomes neutros, posicionando-se contra o politicamente correto e ideologias identitárias.

Ele quebrou a espiral do silêncio que tomava conta da academia norte-americana.

Nascido em 1962, no Canadá, cresceu em uma pequena cidade chamada Fairview. Desde jovem teve contato com autores como Solzhenitsyn, Huxley e Orwell, o que moldou seu pensamento crítico e sua defesa dos valores da civilização ocidental.

Formação e trajetória

  • Graduado em Ciência Política e Psicologia;

  • Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade McGill;

  • Lecionou em Harvard e foi professor titular na Universidade de Toronto até 2022, quando pediu demissão por discordar das diretrizes ideológicas das universidades.

Suas principais ideias

  • Responsabilidade individual como base para uma vida com sentido;

  • A felicidade não deve ser o objetivo, mas sim o enfrentamento corajoso do sofrimento;

  • Crítica à ideia de patriarcado como sistema de opressão, propondo uma análise mais realista da condição masculina;

  • O mito como fundamento do significado humano: mais do que explicações racionais, o ser humano precisa de histórias para viver;

  • Combate ao politicamente correto por considerá-lo uma forma moderna de autoritarismo;

  • Defesa de que agir como se Deus existisse é um imperativo moral e existencial, ainda que se recuse a rotular sua fé.

Produção e obras

É autor de quatro livros:

  • Mapas do Significado (1999) — estudo profundo sobre crença e cultura;
  • 12 Regras para a Vida (2018) — best-seller internacional com conselhos práticos e filosóficos;
  • Além da Ordem (2021) — continuação com novas regras e reflexões.
  • Nós Que Lutamos com Deus: Percepções do Divino (2025).

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